Climatologista Rodolfo Bonafim também alertou para a possibilidade do chamado 'La Niña do Atlântico', cujos efeitos ainda geram controvérsia

Faltando pouco menos de um mês para a chegada da primavera, o inverno mostrou todo o seu potencial de resfriamento nesta terça-feira (27), no litoral de São Paulo. De acordo com o climatologista Rodolfo Bonafim, da ONG Amigos da Água, de Santos, a cidade registrou mínima de 11,1 graus, em medição realizada na estação localizada no bairro do Marapé.
Bonafim disse que uma temperatura tão baixa assim não era sentida na cidade desde setembro de 2002, quando houve mínima de 10,4 graus. Naquela ocasião, a Base Aérea de Santos chegou a registrar mínima de 6 graus.
O climatologista já havia previsto que a atual onda de frio seria severa, inclusive, com possibilidade de formação de geada em pontos do alto da Serra do Mar. Alguns locais das regiões de Sorocaba e Jundiaí, no interior paulista, registraram geada nesta madrugada. A tendência, agora, é que a massa de ar polar comece a se afastar aos poucos para alto-mar. A temperatura nesta tarde de terça-feira já deve ser levemente mais alta que a registrada na segunda (26).
Bonafim chamou a atenção também para um outro fenômeno que vem causando controvérsia entre os especialistas em clima: o chamado ‘La Niña do Atlântico’. O La Niña tradicional, que consiste no resfriamento das águas do oceano Pacífico equatorial, é esperado para começar já no mês de setembro, segundo o climatologista.
Mas ele lembra que não é apenas o Pacífico que impacta o clima no Brasil. O oceano Atlântico também é um protagonista. E o Atlântico, até então, vinha em tendência de aquecimento. Só que, há mais ou menos um mês, foi constatado que todo esse aquecimento se transformou em um resfriamento abrupto, principalmente na costa do Nordeste brasileiro. “Resfriou do nada, nem os cientistas estão conseguindo entender”, disse Bonafim.
O La Niña do Pacífico costuma provocar resfriamento no litoral de São Paulo, com um clima mais ameno do que o registrado em anos de El Niño, como no verão 2023/2024. Mas, se for confirmado o chamado 'La Niña do Atlântico', juntamente com o La Niña do Pacífico, ninguém sabe ainda o que pode acontecer. “O clima está todo bagunçado. A gente não sabe mais por onde vai vir a ‘desgraça’”, concluiu o climatologista.