Presidente Lula sanciona lei da reforma tributária com mudanças para ONGs

Mobilização da sociedade civil liderada pelo Instituto Elos influenciou ajustes no texto final da regulamentação

Rhauanny Queiroz
Publicado em 16/01/2026, às 11h08

Texto sancionado mantém autonomia de estados e municípios na destinação de recursos públicos - Ricardo Stuckert / PR


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, esta semana, lei que conclui a regulamentação da reforma tributária.

Medida encerra a tramitação do Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 108/2024, no Congresso Nacional, e marca o fim de um dos capítulos mais sensíveis do novo sistema tributário brasileiro.

A sanção reflete o impacto de mobilização coordenada pela sociedade civil organizada, liderada pelo Instituto Elos, que reuniu mais de 400 organizações de diferentes regiões do país.



O objetivo foi evitar retrocessos na destinação de recursos para políticas públicas e preservar a autonomia de estados e municípios em programas de cidadania fiscal.

Desde o início da tramitação do projeto, o Instituto Elos articulou ações de incidência junto a parlamentares, promovendo letramento tributário, elaborando materiais técnicos e dialogando diretamente com gabinetes em Brasília. 

Principal ponto de atenção era um dispositivo  do texto original, que estabelecia parâmetros considerados inferiores aos já praticados por programas consolidados, como a Nota Fiscal Paulista, o que poderia reduzir o financiamento de iniciativas nas áreas de saúde, assistência social, cultura, educação e garantia de direitos.



Com a pressão organizada, o texto final aprovado e sancionado não impõe teto nacional restritivo para a destinação dos recursos, assegurando que estados e municípios mantenham autonomia para definir suas políticas de cidadania fiscal. 

Versão final da lei também incorporou outros avanços, como a atualização das regras de isenção tributária para a compra de veículos por pessoas com deficiência (PcD).

Para a diretora-executiva do Instituto Elos, Thais Polydoro, sanção representa vitória da participação social no processo legislativo. “O que estava em jogo era a capacidade do Estado de reconhecer e fortalecer iniciativas que geram impacto social real nos territórios. Essa aprovação é resultado direto da pressão coletiva”, afirma.



De acordo com Polydoro, decisão também é fundamental para a sustentabilidade das organizações da sociedade civil. 

Dados do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (FONIF) indicam que, para cada R$ 1,00 arrecadado com a imunidade tributária, as instituições retornam R$ 9,79 em benefícios à sociedade.

Para a diretora-executiva, a reforma tributária é uma disputa sobre prioridades e sobre o financiamento de direitos. “O texto final demonstra que a sociedade civil organizada tem capacidade real de influenciar decisões estruturantes para a democracia brasileira”, conclui 





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