Primeiro fim de semana da fase emergencial no Litoral Norte tem praias movimentas e nem trator conseguiu desestimular presença de banhistas nas praias; na Baixada Santista, situação foi menos surreal, mas teve até carro atolado na areia
Da redação
Publicado em 21/03/2021, às 11h15 - Atualizado às 11h46
O litoral paulista entrou no primeiro final de semana da fase emergencial vivendo situações surreais. Enquanto em Itanhaém, na Baixada Santista, um carro foi engolido pela areia, após o motorista se aproveitar da praia fechada para adentrar no espaço com o veículo, em São Sebastião a prefeitura recorreu a um trator para tentar dissuadir os banhistas que insistem em frequentar as faixas de areia fechadas.
Mesmo com o fechamento das faixas de areia, neste sábado (20) foi registrada alta movimentação de banhistas em diversas praias do Litoral Norte de São Paulo. Desde o início da manhã, banhistas aproveitaram o calor de 32º para tomar banho de sol nas faixas de areia. Em grupos, com cadeiras e guarda-sóis, muitos se reuniam sem utilizar máscaras.
Diferentemente das cidades da Baixada Santista, que proibiram ou até mesmo interditaram as praias e até os calçadões durante a fase emergencial, no Litoral Norte os espaços permanecem abertos, sendo somente autorizada, porém, a prática de esportes individuais, com todas as demais atividades proibidas.
Assim, não é permitido nas praias a instalação de mesas, cadeiras, guarda-sóis, tendas, esteiras, caixa de som, caixas térmicas e similares que estimulem a aglomeração de pessoas.
Na região sul de São Sebastião, onde se situam as praias mais famosas do litoral norte, fiscais da prefeitura e a Guarda Civil Municipal (GCM) encontraram dificuldades para fazer valer as normas municipais e orientar turistas, que se recusaram a deixar a areia.
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Nas badaladas praias Baleia e Juquehy, junto das viaturas, a prefeitura lançou mão de tratores para tentar desestimular os banhistas de permanecerem no banho de sol proibido e retornarem para suas casas. Nem com trator deu certo.
Tão logo os tratores iam embora, os banhistas retornavam aos seus lugares, montando novamente suas cadeiras de praia e fixando seus guarda-sóis. Um decreto estadual, contudo, também proíbe a circulação de veículos na faixa de areia. A ação da prefeitura foi criticada por moradores. A circulação de um veículo pesado na areia provoca danos ambientais.
Membros de associações de moradores da região também têm percorrido as praias de São Sebastião na tentativa de dissuadir os turistas de frequentarem as faixas de areia.
Já em Itanhaém, na Baixada, com as praias vazias em decorrência da interdição da fase emergencial, um motorista resolveu dirigir pela faixa de areia e acabou com o veículo completamente atolado.
Tanto o litoral Norte quanto a Baixada Santista amargam o pior momento em toda a história da pandemia com seus sistemas de saúde fustigados às portas do colapso. Em 15 dias, a Baixada Santista, composta por nove cidades, viu as taxas de ocupação de leitos de UTI da região saltaram de menos de 50% para a casa dos 80%.
Até sexta-feira (19) São Sebastião registrava 86 óbitos dentre 6.856 casos confirmados. De acordo com a prefeitura, 398 pacientes estão em quarentena domiciliar. De 90 mil habitantes, foram vacinados apenas 6.033.
Na mesma data, o prefeito Felipe Augusto anunciou que pacientes em estado grave precisarão ser transferidos por falta de medicamentos.
Adicionalmente, a prefeitura de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (18) a antecipação de cinco feriados que, somados aos finais de semana, vão parar a cidade por 09 dias, de 27 de março a 4 de abril. As medidas, que visam diminuir drasticamente a circulação, buscam conter a sobrecarga do sistema de saúde e frear a disseminação galopante do coronavírus na cidade.
No entanto, o tiro de São Paulo pode sair pela culatra e resvalar na Baixada Santista e no Litoral Norte, regiões que tradicionalmente recebem um intenso fluxo turístico quando a Capital para em feriados prolongados.
Com isso, o Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista), presidido pelo prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), optou por um lockdown coordenado entre nove cidades da região, a partir de terça-feira (23). Santos também pediu apoio do governo do estado com efetivo policial para intensificar a fiscalização e barreiras sanitárias no topo da serra. Compõem o Condesb as cidades de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente. Apenas Cubatão não tem praias.
Na mesma direção, os prefeitos de São Sebastião, Felipe Augusto, e de Caraguatatuba, José Pereira de Aguilar Jr. (MDB), encaminharam ofícios ao governo estadual solicitando a adoção de medidas para impedir que os turistas desçam para a região durante o mega feriado na Capital.
Na sexta, o governo estadual anunciou a suspensão da operação descida do Sistema Anchieta-Imigrantes até o fim de março, para desestimular o deslocamento de pessoas para o litoral. É a primeira vez, em 23 anos, que a operação é cancelada. As prefeituras da Baixada Santista, porém, vem fazendo o apelo há meses e a negativa gerou uma briga política entre as gestões da Baixada e o governo estadual durante o conturbado período de festas em Dezembro de 2020.
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