Entidade sem fins lucrativos oferece psicologia, capoeira e musicalização para pacientes de até 15 anos; atualmente 50 famílias são atendidas
Redação
Publicado em 29/06/2026, às 09h14
O Instituto Índigo tem se destacado em Bertioga pelo trabalho de acolhimento e inclusão de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Fundada em 2017, a organização não governamental e sem fins lucrativos oferece atendimento especializado e gratuito para crianças e adolescentes de até 15 anos de idade.
A história da instituição começou com a iniciativa de uma mãe que, após receber o diagnóstico do filho, identificou a escassez de espaços estruturados para o desenvolvimento cognitivo e motor no município.
Com o passar dos anos, o projeto expandiu-se e mudou-se do bairro Jardim Rafael para uma sede no Centro, localizada próxima ao hospital municipal, onde atualmente atende 50 famílias.
O acompanhamento clínico e terapêutico promovido pela ONG desempenha um papel fundamental na preparação dos assistidos para os desafios cotidianos e para a futura inserção social.
Por meio de atendimentos de psicologia infantil e atividades multidisciplinares, como capoeira e musicalização, os pacientes trabalham habilidades de comunicação e coordenação.
A psicóloga do Instituto Índigo, Lena Duarte, explica as principais metas estabelecidas durante o processo terapêutico na infância:
Nós trabalhamos para que a pessoa seja independente. O nosso foco é fazer com que, na vida adulta, dentro de suas possibilidades, ela consiga usar essa autonomia. É um desafio diário voltado para a regulação emocional, a inserção na sociedade e o desenvolvimento de uma vida autônoma".
Para as mães acompanhadas pela instituição, o suporte preenche uma lacuna deixada pelo alto custo das terapias particulares na rede privada. Os resultados práticos são percebidos diretamente no desempenho escolar e no comportamento em casa.
A dona de casa Jeane Costa, mãe do Yuri, matriculou o filho há cerca de dois anos e relata os avanços obtidos: "De início, eu vi que ele estava precisando de atividades porque ele tinha muita dificuldade na escola. Eu acreditava que o instituto, por ter muitas atividades, ia melhorar o dia a dia dele no convívio social, e isso vem acontecendo".
Os benefícios também são compartilhados por Giliani Moreira, mãe do Matheus, que tem autismo não verbal. Segundo ela, as consultas regulares ajudaram o menino a interagir melhor com o ambiente externo e a dar os primeiros passos rumo a uma comunicação mais eficiente.
Apesar do impacto positivo, a manutenção das atividades diárias exige esforço contínuo da equipe administrativa. Por ser uma instituição filantrópica, os voluntários e coordenadores lutam constantemente para obter maior reconhecimento e firmar parcerias financeiras estáveis.
A coordenadora do Instituto Índigo, Luciana Flausino, reforça a importância de expandir o apoio recebido da sociedade:
O trabalho é importante para permitir a construção de um futuro melhor. Queremos mostrar que essa criança é capaz, que ela pode estar no mercado de trabalho e inserida em uma sociedade melhor. O nosso objetivo também é dar uma esperança para as mães."
Atualmente, o grupo busca apoio tanto com o poder público quanto com o setor privado empresarial para garantir a ampliação das vagas e a sustentabilidade dos atendimentos a longo prazo.
*Com infomações do jornalista Matheus Alves, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.