Estudo revela que fraudadores usam reconhecimento facial invertido, para assumir identidades semelhantes em bancos e cadastros on-line
Patrícia Oliveira
Publicado em 08/09/2026, às 16h01
Uma nova modalidade de crime cibernético passou a desafiar os sistemas de segurança digital no Brasil: o "golpe do sósia". Identificado por especialistas em inteligência analítica da Serasa Experian, no balanço do primeiro semestre, o método inverte a lógica tradicional das fraudes.
Em vez de roubar os dados de uma vítima específica e tentar se passar por ela, o criminoso utiliza softwares de reconhecimento facial para varrer bancos de imagens e encontrar pessoas reais que sejam fisicamente muito parecidas com ele próprio.
Ao identificar uma vítima compatível, o fraudador utiliza os documentos dessa pessoa para tentar abrir contas bancárias, solicitar empréstimos e cadastrar cartões de crédito. Como o rosto do criminoso guarda elevado grau de semelhança com a foto oficial da vítima, os sistemas simples de validação biométrica são induzidos ao erro, liberando o acesso às operações financeiras.
A proliferação da tática acendeu um alerta no setor de tecnologia, já que o bloqueio de fraudes exige que as empresas combinem a biometria com outras camadas de validação, como a prova de vida em tempo real, checagem do histórico do dispositivo móvel e cruzamento de dados cadastrais.
No primeiro semestre do ano, as ferramentas antifraude barraram mais de 2,8 milhões de tentativas de falsificação de identidade no país, um salto de quase 33% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para evitar que fotos e documentos sirvam de insumo para criminosos, os usuários devem reforçar os cuidados com a privacidade digital. A orientação é nunca publicar fotos de documentos ou imagens segurando a carteira de identidade em redes sociais.
Outros cuidados incluem evitar que estranhos tirem fotos do seu rosto e desconfiar de pedidos inesperados de validação facial enviados por links, e-mails, mensagens de texto e códigos QR. Manter o monitoramento frequente do CPF e utilizar senhas fortes com autenticação em duas etapas nos aplicativos também ajuda a impedir acessos indevidos.
* Com informações - Agência Brasil