DE OLHO NO COMÉRCIO

Projeto pode aliviar restrições fiscais para o comércio em 2026; veja o que está em discussão

Proposta em análise na Câmara cria exceções para benefícios tributários e algumas despesas obrigatórias previstas para este ano

Estabelecimento comercial com máquina de cartão e sacola de compras
Projeto ainda precisa ser analisado pelos deputados e não muda as regras fiscais neste momento - Pexels


Um projeto em análise pela Câmara dos Deputados pode mudar a forma como algumas despesas e benefícios tributários serão tratados pelas regras fiscais de 2026.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 74/26 prevê que determinados incentivos para o comércio e outras despesas possam ficar fora de algumas restrições fiscais. A proposta foi apresentada pelo deputado licenciado José Guimarães (CE), atual ministro das Relações Institucionais.

O objetivo, segundo a justificativa do projeto, é evitar que regras criadas para controlar os gastos públicos acabem impedindo medidas que já estavam previstas no Orçamento de 2026 ou que seguem as exigências da legislação.

Mas atenção: o projeto ainda não foi aprovado. Neste momento, ele está em tramitação na Câmara.

Quais benefícios podem ser afetados?

O projeto cita benefícios tributários concedidos em 2026 para áreas de livre comércio e bens de capital. A proposta busca evitar que esses benefícios sejam prejudicados por novas restrições fiscais quando já estiverem previstos em lei.

Segundo a justificativa, esses incentivos são considerados importantes para o desenvolvimento de algumas regiões e para a competitividade das empresas. Para entender de forma simples: quando um benefício tributário reduz o valor de impostos que uma empresa ou setor precisa pagar, o governo deixa de arrecadar uma parte daquele dinheiro.

O projeto estabelece que, nesses casos, a medida poderá ficar fora das restrições fiscais se a perda de arrecadação já tiver sido prevista no Orçamento de 2026, ou se houver uma forma de compensar esse valor.

E o que isso tem a ver com o comércio?

A proposta pode atingir regras relacionadas a benefícios tributários utilizados por setores da economia. A intenção apresentada no projeto é evitar que uma mudança nas regras fiscais impeça a aplicação de benefícios que já foram previstos em lei e considerados no planejamento do governo.

Na justificativa, o autor afirma que as restrições precisam ser aplicadas levando em conta cada situação. Caso contrário, medidas que já passaram pelo planejamento orçamentário poderiam enfrentar dificuldades para serem colocadas em prática.

Licença-paternidade também aparece no projeto

O PLP 74/26 não trata apenas de impostos. O texto também prevê uma exceção para despesas relacionadas à licença-paternidade e ao salário-paternidade, desde que sejam cumpridas as exigências constitucionais mencionadas no projeto.

Isso não significa que o projeto crie uma nova licença-paternidade. A proposta trata apenas de como essas despesas seriam consideradas diante das regras fiscais de 2026. O texto também menciona despesas relacionadas ao ressarcimento de tributos por desonerações assumidas contratualmente pelo Brasil.

Por que o governo tem essas restrições?

As regras fiscais existem para ajudar o governo a controlar as contas públicas e cumprir as metas previstas para o orçamento. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 estabeleceu restrições para a criação ou ampliação de benefícios que reduzem impostos e de novas despesas obrigatórias.

O autor do projeto argumenta que essas regras podem atingir situações que já foram consideradas no planejamento do governo ou que já cumprem as exigências fiscais. Por isso, a proposta tenta criar exceções para esses casos.

O projeto já está valendo?

Não. O PLP 74/26 ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Deputados. A proposta tem um pedido de urgência para ser votada pelo Plenário.

Se a urgência for aprovada, o texto poderá ser levado diretamente para votação no Plenário da Câmara. Até que o projeto avance e seja aprovado nas etapas necessárias, as regras atuais continuam valendo.

Portanto, neste momento, não há uma mudança imediata para empresas, comerciantes ou consumidores. O que existe é uma proposta para permitir que determinados incentivos e despesas previstas para 2026 não sejam atingidos por algumas restrições fiscais.

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