Economista explica risco das tarifas de Trump para portos de Santos e São Sebastião

Impacto da nova política estadunidense afeta a margem de lucro de exportadores brasileiros e exige ação imediata para proteger o setor

Redação
Publicado em 22/07/2026, às 09h55

Exportações de produtos pelos portos da região sofrerão impacto direto com as novas taxas - Divulgação/MSC


As novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros, devem impactar diretamente as exportações escoadas pelos portos de Santos e São Sebastião, litoral de São Paulo. O tema foi analisado pelo economista Luciano Simões em entrevista ao Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.

De acordo com o especialista, o efeito imediato da medida recai sobre a comercialização de mercadorias com maior valor agregado. Simões explica que a taxação afeta principalmente a linha industrial:

O impacto direto vai ser já na comercialização, com ênfase em produtos de valor agregado da parte que tenha alguma coisa mecânica ou algum elemento químico".

Ele detalha que a indústria brasileira que poderia usufruir de uma movimentação lucrativa terá, de forma direta, um custo maior no produto final. Em contrapartida, itens básicos do agronegócio muito consumidos pelos estadunidenses, como laranja, carne e café, ficaram de fora da nova lista de tarifas.



Quem paga a conta e possíveis soluções

Sobre quem arcará com os novos custos, o economista pontua que a conta afeta os dois lados da balança comercial. O consumidor estadunidense sentirá o peso por meio da inflação, enquanto o produtor brasileiro perderá margem de lucro ao tentar manter a competitividade da mercadoria.

Se a perda de lucro inviabilizar o negócio, o exportador precisará focar em outros países, o que gera uma diversificação comercial forçada. Para mitigar o problema a curto prazo e proteger a balança comercial, Simões sugere que o governo brasileiro adote medidas financeiras.

O especialista avalia o cenário ideal para o momento: "O governo entra com um subsídio, ajuda o exportador para que ele não perca grandes demandas e faturas que já estavam negociadas".



O economista também ressalta que a decisão tarifária tem fundo diplomático e reflete tensões geopolíticas entre os governos dos dois países. A expectativa é que o cenário de estresse comercial permaneça ao longo dos próximos meses, gerando dependência de novas negociações diplomáticas.

*Com informações do jornalista Thiago Dantas, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.

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