CNH: governo oferecerá cursos gratuitos e on-line para tirar carteira de motorista

Medida visa simplificar e baratear processo, que pode custar até R$ 5 mil; expectativa é regularizar milhões de motoristas

Redação
Publicado em 29/10/2025, às 15h38

Governo vai oferecer cursos gratuitos on-line e em escolas para adquirir habilitação - Art Markiv/Unsplash


Obter a carteira nacional de habilitação (CNH) no Brasil pode ficar mais fácil e barato. O governo federal planeja oferecer cursos gratuitos, que poderão ser feitos on-line e até mesmo em escolas públicas. A medida faz parte de um pacote para simplificar o processo.

Além dos cursos gratuitos, a proposta inclui o fim da obrigatoriedade de aulas práticas, exclusivamente em autoescolas. Isso permitirá negociações diretas entre alunos e instrutores credenciados. A expectativa é que as novas regras entrem em vigor ainda este ano.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, detalhou as mudanças nesta quarta-feira (29). Ele participou do programa Bom Dia, Ministro, da EBC.



Alto custo e ilegalidade: um problema nacional

Atualmente, o custo para tirar a CNH pode chegar a R$ 5 mil, em algumas regiões. O processo completo pode levar até nove meses.

É muito caro. Custa mais do que três salários mínimos", afirmou Renan Filho.

Segundo o ministro, o modelo atual é "impeditivo". Ele leva milhões de brasileiros à ilegalidade, dirigindo sem carteira. Levantamentos indicam que 54% dos CPFs que compraram motos não têm habilitação. "Concluímos que 20 milhões de brasileiros dirigem sem carteira", argumentou.

Simplificação e novas modalidades de ensino

A burocracia também encarece o processo, tornando o Brasil o país mais caro da América do Sul para obter a CNH. Para carro e moto, são exigidas 85 horas de aulas teóricas e práticas, além da prova escrita.



Com as mudanças, o governo quer tornar o procedimento mais rápido e simples. Uma das ideias é usar escolas públicas e privadas para preparar os candidatos para a prova teórica. "Por que as escolas não preparam o cidadão para fazer a prova de habilitação?", questionou o ministro.

Ele sugere que, além do vestibular, as escolas poderiam preparar para a CNH. Conteúdos como legislação, cidadania e direção defensiva seriam abordados.

Fim da obrigatoriedade e novo mercado para instrutores

Renan Filho esclareceu que as autoescolas continuarão existindo.



O que vai acabar é a obrigatoriedade de contratar a aula prática das autoescolas", disse.

O cidadão poderá optar por um instrutor autônomo. As aulas poderão ser no próprio carro do aluno, devidamente identificado.

O ministro rebateu críticas sobre falta de diálogo com centros de formação. "O problema é a mudança que o governo está discutindo", afirmou. Ele argumenta que esses centros querem manter uma "reserva de mercado".

Para Renan Filho, a medida beneficiará os instrutores. Eles poderão negociar diretamente com os alunos. A queda nos preços deve aumentar a procura pela CNH, criando um "novo mercado" com mais instrutores. Há cerca de 200 mil instrutores no Brasil, número que pode crescer.



Consulta pública e próximos passos

As novas regras devem ser implementadas por resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O governo está coletando sugestões da sociedade e audiências públicas ocorrem até 2 de novembro.

Ainda se discute se haverá número mínimo de horas de aula prática. A expectativa é que as mudanças comecem a valer ainda em 2025.



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