Reorganização atinge bancos, fornecedores e aluguéis; no litoral paulista, rede mantém nove lojas abertas e confirma apenas um fechamento
Lucas Santos
Publicado em 02/09/2026, às 12h53
O Grupo Casas Bahia ingressou com pedido de recuperação judicial para reorganizar obrigações financeiras e a estrutura operacional. A medida impacta o pagamento de aproximadamente R$17,3 bilhões em débitos com bancos, fundos de investimentos, seguradoras e fornecedores, além de aluguéis e passivos trabalhistas.
No litoral paulista, uma das duas lojas da Casas Bahia, em São Vicente, foi fechada.
A empresa informou que a decisão busca adequar a operação a um cenário marcado por crédito restritivo, juros elevados e consumo pressionado. O Grupo ainda disse que, nos trimestres recentes, reduziu a dívida líquida e acumulou nove trimestres consecutivos de evolução da margem Ebitda (índice financeiro) ajustada.
No segundo trimestre de 2026, a alavancagem financeira ficou em 0,5 vez o Ebitda ajustado, ante 2,2 vezes no mesmo período do ano anterior, com fluxo de caixa livre de R$800 milhões.
O CEO do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, explicou o contexto da medida:
Nos últimos anos, fizemos um trabalho importante de transformação da companhia. Reduzimos de forma relevante o endividamento financeiro, melhoramos nossa estrutura de capital, avançamos em eficiência e fortalecemos a geração de caixa. Mas precisamos reconhecer que essa evolução, embora crucial, não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado. A realidade mudou e, junto ao nosso conselho de administração, tomamos decisões para adequar a companhia a essa nova realidade”.
A nova fase do plano de transformação prevê a redução da operação para priorizar caixa e rentabilidade. Entre as ações iniciais, a rede encerrou as atividades de 298 lojas com baixo desempenho no país.
No litoral paulista, apenas a unidade de São Vicente encerrou suas atividades, enquanto outras nove seguem em funcionamento normal. Até o momento desta publicação, o Grupo Casas Bahia ainda não informou à reportagem sobre quantos funcionários foram demitidos pelo fechamento da unidade vicentina.
O pedido de recuperação judicial não interrompe o atendimento aos clientes. A empresa mantém a operação nos canais físicos e digitais, assim como o relacionamento com fornecedores.
O executivo da companhia, Renato Franklin, detalhou os passos seguintes do grupo:
A recuperação judicial faz parte de uma reorganização do passivo da empresa de forma mais ampla, que precisa dar à companhia condições de ajustar suas obrigações e, ao mesmo tempo, continuar executando as medidas operacionais da Fase 2 do Plano de Transformação que já estão em andamento”.
O representante acrescenta:
A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa. Isso significa preservar as operações com maior capacidade econômica, adequar custos e investimentos ao novo nível de atividade, melhorar o giro de estoques e reduzir a necessidade de capital empregado”.
As próximas etapas preveem a revisão dos canais digitais, a adequação de estoques e capital de giro, além da busca por redução do custo financeiro.