Levar conchas para casa, alimentar animais marinhos e jogar lixo são alguns dos problemas; preservação depende de senso coletivo
Lais Seguin
Publicado em 19/01/2026, às 09h44
Ações que não devem ser feitas nas praias vão além das regras de convivência óbvias. Pequenas atitudes, muitas vezes vistas como inofensivas, podem causar danos sérios ao meio ambiente e até gerar multas.
Entender o que não fazer ajuda a proteger o mar, os animais e garante que a praia continue como espaço saudável para todos.
Levar conchas como lembrança de uma viagem agradável parece uma atitude inocente. Porém, essa prática afeta diretamente o equilíbrio do ecossistema marinho. As conchas fazem parte do corpo de moluscos, como ostras e mariscos, e têm função de proteção e sustentação.
Segundo o biólogo marinho Luís Felipe Natálio, em entrevista ao Costa Norte, após a morte natural desses animais, as conchas seguem dois caminhos. Elas podem servir de abrigo para outros organismos, como ermitões e até polvos, ou podem se decompor e liberar cálcio na água do mar, elemento essencial para a formação de novas conchas e até de recifes de corais, que já sofrem com as mudanças climáticas.
A retirada constante, para o especialista, reduz esse ciclo natural. Em praias nas quais isso ocorre com frequência, pode faltar cálcio disponível na água, o que prejudica espécies que dependem desse mineral para sobreviver e se desenvolver.
Em cidades litorâneas, é comum encontrar conchas à venda em lojas de artesanato. Algumas pessoas pensam em comprá-las para devolvê-las ao mar. Apesar da boa intenção, não é recomendado.
Muitas dessas conchas recebem verniz, ou produtos químicos, para ficarem brilhantes e próprias para decoração. Ao serem jogadas no mar, essas substâncias podem contaminar a água.
Além disso, conchas de outras regiões podem carregar ovos, ou restos de organismos marinhos. Isso aumenta o risco de bioinvasão, quando espécies estranhas são introduzidas em novo ambiente.
Dar pão, restos de comida, ou ração, para os peixes é um erro comum. Esse hábito altera o comportamento natural dos animais e pode causar doenças. Além disso, os resíduos afetam os corais e a qualidade da água.
A comercialização de corais é crime ambiental no Brasil. Prática é proibida pela Lei de Crimes Ambientais, no artigo 33 da Lei nº 9.605/1998. Comprar esse tipo de produto incentiva a retirada ilegal e acelera a degradação dos recifes, essenciais para a vida marinha.
Os corais servem de abrigo para diversas espécies e ajudam a proteger a costa contra a erosão. Sem eles, todo o ecossistema fica ameaçado.
O lixo descartado na areia, ou no mar, pode ser ingerido por animais e causar ferimentos, ou até mesmo a morte deles. Plásticos são especialmente perigosos, pois se acumulam e demoram anos para se decomporem.
Outro problema é a captura excessiva de animais da praia, como ermitões e corruptos. Retirá-los do ambiente, inclusive para usar como isca, coloca essas espécies em risco e reduz a biodiversidade local.
Algumas atitudes simples fazem diferença. Não colete conchas, corais, estrelas do mar, ou carapaças. Não alimente peixes e não jogue lixo no mar. Evite comprar artesanato feito com elementos naturais retirados da praia.
Cuidar da praia é responsabilidade de todos. Ao mudar pequenos hábitos, como não tomar atitudes acima descritas, ajuda a preservar o mar e garante que outras pessoas também possam aproveitar esse espaço.
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