DNA do Santos moldou a seleção brasileira na história das Copas

Com 15 títulos mundiais conquistados por atletas do Peixe, clube da Vila Belmiro foi a espinha dorsal do Brasil nos anos 1960 e 1970

Redação
Publicado em 08/06/2026, às 14h16

Liderada por Pelé, seleção brasileira tricampeã em 1970 tinha forte entrosamento de atletas do Peixe - Arquivo/Prefeitura de Santos


A história da seleção brasileira nas Copas do Mundo confunde-se com a trajetória do Santos. Nas décadas de 1960 e 1970, o time da Vila Belmiro praticamente transferiu sua espinha dorsal para a Amarelinha. A simbiose era tanta que a conexão tática do clube definiu o estilo de jogo do Brasil e encantou o planeta.

Para confirmar essa grandiosidade, o Santos é o time brasileiro com mais jogadores campeões do mundo; são 15 títulos, conquistados por 11 atletas. No ranking global, o Peixe ocupa a quinta posição, superado apenas por Juventus (Itália), com 27 títulos; Bayern de Munique (Alemanha), com 24; Internazionale (Itália), com 21; e Roma (Itália), com 16.

No centro dessa história está Pelé. O Rei é o único atleta tricampeão da história das Copas (1958, 1962 e 1970), e alcançou o feito sem nunca deixar de vestir a camisa do Santos durante as conquistas. O eterno capitão Zito e Pepe, o Canhão da Vila, foram bicampeões (1958 e 1962).



Entrosamento de clube

A força santista atingiu seu ápice na Copa do Mundo de 1962, no Chile. Nada menos que sete jogadores do clube integravam o elenco: Mauro Ramos (capitão daquela conquista), Gylmar, Zito, Mengálvio, Pelé, Pepe e Coutinho.

O Brasil reproduzia em campo a dinâmica e os padrões táticos do Peixe, e esse nível de entendimento coletivo foi fundamental para o bicampeonato. Em 1966, na Inglaterra, Pelé, Edu, Lima, Gylmar e Zito mantiveram a representatividade alvinegra.

Na inesquecível campanha do tricampeonato, em 1970, no México, o DNA santista ditou o ritmo e a liderança. Pelé foi o guia técnico da equipe, enquanto Carlos Alberto Torres usou a braçadeira de capitão e ergueu a taça, repetindo o feito de Mauro Ramos em 1962. O meio-campista Clodoaldo, aos 20 anos, e Edu completaram a base praiana no torneio.



A ligação de ídolos como Clodoaldo com a região reforça essa identidade. O ex-jogador destaca sua trajetória única. “Tenho 76 anos de idade, dos quais 70 em Santos, apaixonado por essa cidade. Tenho um amor muito grande pela cidade e depois pelo Santos Futebol Clube", afirma.

Tradição que continua

Além de ceder talento ao Brasil, o Santos registrou representantes em outras seleções, como Rodolfo Rodríguez (Uruguai, em 1986), Júlio Manzur (Paraguai, em 2006) e Eugenio Mena (Chile, em 2014).

A tradição de ser protagonista na maior competição de futebol do mundo ganha um novo capítulo. Na edição de 2026, Neymar chega à sua quarta Copa, agora como o 15º atleta brasileiro do Santos chamado para o torneio, marca que eleva o clube a 25 convocações totais na história.



O atacante retornou à Vila Belmiro no início de 2025 para se preparar para o Mundial, e mantém viva a escrita de que a história da seleção sempre passa pelo litoral paulista.

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