Mais de 2 mil estudantes foram avaliados em estudo que analisou impacto do horário das aulas no desempenho escolar
Mayumi Kitamura
Publicado em 11/08/2025, às 14h49
Estudar à tarde costuma ser sinônimo de melhor desempenho escolar, já que o horário se ajusta melhor ao relógio biológico de crianças e adolescentes. Mas, um novo estudo revela que essa vantagem não vale para alunos com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou com sintomas relacionados.
Pesquisadores acompanharam 2.240 estudantes brasileiros, entre 6 e 14 anos, avaliando desempenho em leitura e escrita, histórico escolar e sintomas de TDAH, tanto em análises pontuais quanto ao longo de três anos.
Os dados mostraram que estudar à tarde melhora as notas apenas de alunos com poucos ou nenhum sintoma de TDAH. Para quem apresenta o transtorno, o rendimento se mantém praticamente igual, seja no turno da manhã ou no da tarde.
Ouvido por Maria Fernanda Ziegler, da agência Fapesp, o psiquiatra Maurício Scopel Hoffmann, da Universidade Federal de Santa Maria, explica que “as dificuldades permanecem as mesmas independentemente do horário de estudo”. Isso significa que a troca de turno não deve ser vista como solução não farmacológica para melhorar o desempenho desses estudantes.
O TDAH afeta a atenção, a organização e a impulsividade, impactando diretamente no aprendizado. Mesmo no período da tarde, quando a maioria dos estudantes costuma render mais, essas dificuldades persistem, criando um “teto” de desempenho.
De acordo com o Ministério da Saúde, 7,6% das crianças brasileiras têm TDAH, condição que pode levar a repetências, evasão escolar e, no futuro, problemas como ansiedade e depressão.
O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, segundo o Ministério da Saúde, é neurobiológico de origem genética, que aparece na infância e pode acompanhar a pessoa por toda a vida.
Os principais sintomas em crianças e adolescentes incluem:
Em adultos, os sintomas tendem a ser mais sutis, mas ainda afetam a organização, o cumprimento de tarefas e o controle de impulsos.
Especialistas recomendam tratamento combinado, que pode incluir:
O estudo, publicado na European Child & Adolescent Psychiatry, reforça que o horário das aulas, sozinho, não resolve as dificuldades de alunos com TDAH. A solução exige um conjunto de ações para garantir aprendizado, bem-estar e qualidade de vida.
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