O que acontece com o cerébro da criança durante uma contação de história?

A ciência mostra que os cérebros do contador e do ouvinte formam um pareamento, uma sincronização, como se sintonizados na mesma frequência

Francisco Neto
Publicado em 17/04/2026, às 13h54

- Freepik - Divulgação


Quem hoje não gostaria de viver experiências incríveis com suas crianças, sejam pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, professores e alunos? Conexão é uma das palavras do momento, e muitos pagam caro por cenários que imaginam ter potencial de impactar positivamente a vida das crianças, deixando marcas profundas no seu repertório de memórias das quais elas possam se lembrar com carinho. A grande questão é: como conseguir isso?

Experimento científico em neurociência

Em 2010, Greg J. Stephens e sua equipe publicaram, nos Estados Unidos, o resultado de um experimento muito interessante, realizado na Universidade de Princeton, sobre o que acontece nos cérebros das pessoas em uma experiência de contar e ouvir histórias.

Os pesquisadores convidaram uma pessoa a entrar em uma máquina de ressonância magnética funcional, com um gravador, e contar uma história qualquer sobre sua própria vida. Enquanto contava a história, deveria evitar ao máximo realizar movimentos, porque as suas atividades cerebrais estavam sendo monitoradas e gravadas. Link



O fato é que quando o participante estava contando a história, diferentes áreas do cérebro eram ativadas, o que significa maior concentração de sangue e consumo de oxigênio, o que possibilita à máquina interpretar por meio de imagens. Ao final da experiência, os pesquisadores haviam traçado uma cartografia das atividades cerebrais do participante durante a contação da história.

Depois, um grupo de 12 pessoas foram convidadas a ouvir aquela história. Nenhum dos ouvintes conhecia nem a história nem a pessoa que a havia contado. A experiência de cada um dos participantes também foi monitorada e gravada. Ao analisar os resultados, comparando a sequência e a modulação das atividades cerebrais de todos os participantes, o que descobriram?

Os resultados indicam que as atividades cerebrais dos ouvintes fizeram o mesmo percurso, com a mesma intensidade, do contador de história, com apenas uma diferença: um pequeno delay entre o tempo daquele que contava e dos que ouviam. É como se todos estivessem operando em uma mesma frequência. Dito de modo simples, houve um pareamento cerebral entre quem contou e quem ouviu a história.



O que aprendemos?

Esse experimento mostra que uma contação de história gera uma conexão profunda entre contador e ouvinte. Contar uma história a alguém é entrar dentro de todo o cérebro dela. No caso dois pais: quantas oportunidades você tem durante a vida de entrar no cérebro do seu filho? Se você gosta de contar histórias - como ler literatura infantil -, poderá vivenciar essa experiência fantástica se não todo dia, pelo menos algumas vezes por semana. Vale ou não vale a pena?



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