Reunião com moradores da Barra Seca e órgãos ambientais debate hipóteses para a alteração na água; órgão orienta suspender o consumo de água e pescados
Redação
Publicado em 10/10/2026, às 16h24
A alteração na cor das águas do rio Indaiá mobilizou a Defesa Civil de Ubatuba, representantes da sociedade civil e instituições ambientais nesta semana. O encontro reuniu integrantes da Rede Vozes do Manguezal, da APA Marinha Litoral Norte (Fundação Florestal) e do Instituto Tamoio de Ubatuba, para avaliar as possíveis causas do fenômeno e estruturar o plano de monitoramento da bacia hidrográfica.
A situação atinge diretamente as comunidades ribeirinhas, com destaque para o bairro Barra Seca. O acompanhamento técnico busca emitir um laudo definitivo sobre a origem do problema, afastando incertezas e mitigando eventuais prejuízos socioeconômicos e ambientais na região.
Durante a apresentação dos dados preliminares, a equipe de engenharia e gestão de riscos expôs o registro de um deslizamento de solo e rochas no alto de um morro situado no Sumidouro.
O volume acumulado de chuvas em setembro, que atingiu marca próxima a 300 milímetros, figura como o principal fator desestabilizador do terreno. A hipótese central indica que a enxurrada carrega esse material sedimentar encosta abaixo, alterando a tonalidade da água ao longo do curso do rio.
Apesar das evidências de deslocamento de terra, a Defesa Civil esclareceu que ainda não há um laudo conclusivo que ateste a composição exata dos sedimentos ou o grau de contaminação do recurso hídrico.
Por isso, o órgão articula parcerias com laboratórios e órgãos técnicos especializados para efetuar coletas e exames de balneabilidade, como explica o o diretor de Gestão da Defesa Civil, Alexandre Napoli:
A avaliação deverá contribuir para identificar a natureza do material presente na água e verificar a necessidade de medidas específicas", pontuou".
Enquanto os laudos laboratoriais não obtêm conclusão oficial, a recomendação à população é estritamente preventiva. Alexandre Napoli fez um apelo direto aos moradores e visitantes:
Solicitamos que, enquanto os estudos ocorrem, tanto a comunidade ribeirinha como os turistas não consumam essa água e evitem se alimentar dos peixes da região, como uma forma preventiva até que o trabalho de análise técnica seja concluído e tenhamos informações concretas sobre a qualidade da água."
A equipe enfrentou entraves operacionais no mapeamento da bacia devido às dificuldades de acesso a trechos íngremes do Sumidouro. Essa limitação geográfica atrasa a verificação presencial de outros focos de instabilidade nas encostas.
Preocupações sobre a oxigenação da água, o impacto na fauna aquática e os reflexos na maricultura e no turismo praiano pautaram os debates. Como encaminhamento prático, o poder público e as lideranças comunitárias acertaram a promoção de novos encontros informativos.
O objetivo é traduzir os dados técnicos em uma linguagem simples e acessível, mantendo os moradores informados sobre cada etapa da investigação.