DE VOLTA AO MAR

Pinguins e lobo-marinho resgatados são devolvidos ao mar na costa de Ubatuba

Dez animais passaram por reabilitação após serem encontrados debilitados no litoral e foram soltos a cerca de 93 quilômetros da costa

Três pinguins-de-magalhães nadando na superfície do mar e um lobo-marinho-sul-americano submerso
Nove pinguins-de-Magalhães e um lobo-marinho-sul-americano retornaram ao oceano - Reprodução/Instituto Argonauta


Dez animais marinhos reabilitados pelo Instituto Argonauta foram devolvidos ao oceano na sexta-feira (9), a aproximadamente 93 quilômetros da costa de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. A ação marcou o retorno de nove pinguins-de-Magalhães e um lobo-marinho-sul-americano ao ambiente natural.

A soltura foi realizada no âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Os animais foram resgatados ao longo da temporada de 2026, depois de serem encontrados debilitados em diferentes pontos do litoral.

Durante o período de recuperação, os pinguins e o lobo-marinho receberam acompanhamento veterinário, alimentação adequada e cuidados específicos. O retorno ao mar ocorreu após avaliações clínicas e comportamentais indicarem condições satisfatórias para que os animais voltassem à natureza.

A iniciativa integra o trabalho de monitoramento, resgate, tratamento e reabilitação da fauna marinha realizado pelo Instituto Argonauta. A ação também destaca a parceria de 28 anos entre a instituição e o Aquário de Ubatuba no atendimento de animais marinhos encontrados no Litoral Norte paulista.

Por que pinguins aparecem no litoral de São Paulo?

Apesar de serem associados a regiões frias, os pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) também podem ser encontrados na costa brasileira durante seus deslocamentos migratórios.

A espécie se reproduz principalmente nas costas da Argentina, do Chile e das Ilhas Malvinas. Após o período reprodutivo, parte da população segue em direção ao norte, acompanhando a disponibilidade de alimento nas águas do Oceano Atlântico.



Durante o outono e o inverno, esses animais podem chegar ao litoral brasileiro, especialmente às regiões Sul e Sudeste. Muitos dos pinguins encontrados no país são juvenis que estão realizando suas primeiras migrações.

Ao longo do percurso, alguns podem apresentar desnutrição, desidratação e outras condições de debilidade. A interação com atividades pesqueiras, a ingestão de resíduos e a poluição marinha também representam ameaças à espécie.

A alimentação dos pinguins-de-Magalhães é composta principalmente por peixes, além de lulas e pequenos crustáceos. Eles passam grande parte da vida no ambiente marinho.



Lobo-marinho também pode aparecer no litoral paulista

O outro animal devolvido ao oceano foi um lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis), mamífero marinho da família Otariidae, a mesma dos leões-marinhos.

A espécie ocorre nas costas atlântica e pacífica da América do Sul e tem importantes áreas de reprodução no Uruguai, na Argentina e em outras regiões do extremo sul do continente.

No Brasil, sua presença é mais frequente durante os meses frios, principalmente na Região Sul. No entanto, indivíduos também podem ser registrados no litoral de São Paulo. Em geral, são animais jovens que se deslocam para além das áreas habituais de reprodução e alimentação.



Os lobos-marinhos se alimentam principalmente de peixes, lulas e outros organismos marinhos. Embora passem boa parte do tempo na água, também utilizam praias e costões rochosos para descansar.

Encontrar um lobo-marinho na praia não significa necessariamente que ele esteja debilitado. Entretanto, animais feridos, desnutridos ou com alterações de comportamento podem precisar de avaliação e atendimento especializado.

O que fazer ao encontrar um animal marinho debilitado?

O Instituto Argonauta orienta que a população entre em contato ao encontrar animais marinhos debilitados, feridos ou mortos no litoral. O atendimento pode ser acionado pelo telefone 0800 642 3341.



O trabalho de assistência inclui diferentes etapas, desde o monitoramento das praias e o resgate até a reabilitação e o retorno dos animais ao ambiente natural.

A parceria entre o Instituto Argonauta e o Aquário de Ubatuba existe há 28 anos. Desde 2015, as atividades também contam com a estrutura do PMP-BS, que ampliou o monitoramento das praias, o registro de ocorrências e a capacidade de atendimento à fauna marinha.

O projeto atende a uma condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras na Bacia de Santos, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No Trecho 10, que abrange Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, a execução é realizada pelo Instituto Argonauta, sob coordenação técnica da Mineral Engenharia e Meio Ambiente.



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