Ilha Anchieta recebe casamento comunitário para casais de baixa renda

Cerimônia promovida pela Fundação Florestal reuniu oito casais em Ubatuba e integrou ações de inclusão social em unidade de conservação

Redação
Publicado em 08/05/2026, às 12h41

Casamento coletivo ocorreu ao pôr do sol, na praia principal do Parque Estadual da Ilha Anchieta - Divulgação


Ubatuba, litoral norte de São Paulo, recebeu uma cerimônia de casamento comunitário, no Parque Estadual da Ilha Anchieta. A ação, promovida pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, do estado de São Paulo (Semil), reuniu oito casais de baixa renda em celebração ao pôr do sol, na praia principal da unidade de conservação, a Praia do Presídio.

A iniciativa faz parte de um edital inédito de chamamento público voltado à promoção de ações socioambientais e ao incentivo ao uso sustentável das unidades de conservação. A proposta amplia o acesso a direitos civis e oferece às famílias a oportunidade de participar de uma cerimônia estruturada em um espaço turístico e ambientalmente protegido.

Uma das noivas, Elaine Ferreira, contou sobre sua reação ao ver o anúncio.



Eu vi o anúncio e falei: é a nossa chance de casar na praia! A gente se conheceu de forma simples, ele foi fazer um serviço no meu trabalho… e hoje, exatamente um ano depois, estamos aqui, casando. Me inscrevi, mandamos tudo e fomos aprovados”.

Ela também destacou a estrutura oferecida aos participantes. “Está tudo muito lindo… a decoração, o buquê, o cuidado com cada detalhe. Eu acho essa oportunidade muito importante para pessoas que não têm como pagar um casamento desse nível. É uma chance única”.

Estrutura completa e uso social da unidade

A cerimônia contou com cerimonialista, produção e apoio logístico da equipe da Fundação Florestal e da Green Haven Ilha Anchieta, empresa responsável pela operação dos serviços de uso público no parque após processo licitatório.

Segundo Elen Eugênio, assistente administrativa da Green Haven Ilha Anchieta, a proposta amplia o papel da unidade para além do turismo tradicional.



“Eventos como esse ajudam a ressignificar a história da ilha, transformando o espaço em um lugar de encontros, histórias e significados. Além disso, têm um impacto positivo na população local, ao gerar oportunidades para prestadores de serviço e fortalecer o vínculo da comunidade com o parque.”

O modelo adotado pela Fundação Florestal prevê parceria com a iniciativa privada, para qualificar a experiência do visitante, mantendo a gestão pública da unidade e exigindo contrapartidas sociais e ambientais.

Conservação ambiental e inclusão social

De acordo com Márcio Santos, gerente da Fundação Florestal, a proposta também busca aproximar a população das unidades de conservação.



“Além do casamento que já é uma experiência única, de poder se casar em uma ilha, em um paraíso como esse, a gente também consegue fazer com que a unidade de conservação seja mais conhecida pelo público em geral. A ideia é trazer a comunidade para dentro desse espaço, para que conheça e também contribua com a conservação.”

Ele também ressaltou o caráter social da iniciativa. “Acaba sendo uma ação socioambiental, porque trazemos para um ambiente protegido pessoas que talvez não teriam acesso a esse espaço para realizar o casamento. Isso também é um benefício social, que faz parte das premissas da Fundação.”

As noivas se prepararam na chamada Casa de Vidro, uma das estruturas mais recentes da unidade. Os convidados acompanharam a cerimônia em meio ao cenário natural da ilha, conhecida pelas águas cristalinas e pela biodiversidade.



Ilha ressignifica passado histórico

Além da preservação ambiental, a ilha Anchieta vem ampliando experiências ligadas ao ecoturismo e ao uso público sustentável. O espaço também oferece hospedagem em edificações históricas adaptadas, valorizando o patrimônio existente.

O simbolismo do casamento coletivo ganha ainda mais força pelo passado da ilha, marcada durante décadas pelo funcionamento de um presídio. De acordo com o diretor-executivo da Fundação FlorestalRodrigo Levkovicz, a ilha simboliza transformação. 

“A ilha Anchieta simboliza essa transformação, não só pelo cenário, mas pelas ações contínuas de reflorestamento, monitoramento e preservação que permitiram essa mudança. É a passagem de um território marcado pelo cárcere para um espaço de vida e experiências”, afirmou. 



Segundo Priscila Saviolo, gestora da Fundação Florestal e uma das responsáveis pela criação do edital, a intenção é ampliar a iniciativa nos próximos anos. “Nosso objetivo é consolidar essa iniciativa e realizá-la todos os anos, ampliando o alcance para famílias que, muitas vezes, não teriam essa oportunidade. A proposta é unir inclusão social, valorização das pessoas e uso sustentável das nossas unidades”.

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