Terreno no Santa Maria, na Zona Noroeste, passa por intervenção ecológica; primeira etapa do projeto deve terminar na primeira quinzena de setembro
Redação
Publicado em 17/06/2026, às 11h40
Quem passa pela rua Pastor João Wesley, no bairro Santa Maria, na Zona Noroeste de Santos, litoral de São Paulo, nota alterações na paisagem. O local, que por anos registrou descarte irregular de resíduos da construção civil, estacionamento indevido de caminhões e degradação ambiental, passa por processo de recuperação ecológica, valorização paisagística e uso comunitário.
O terreno da CPFL recebe intervenções de recuperação ambiental e requalificação paisagística para integração ao projeto Parque dos Mangues. A iniciativa resulta da atuação da empresa de energia com o apoio e a orientação técnica da Secretaria das Prefeituras Regionais (Sepref).
O objetivo é a transformação do antigo passivo ambiental em espaço de convivência. A previsão indica a conclusão da primeira etapa dos trabalhos na primeira quinzena de setembro.
A obra adota um modelo de recuperação ambiental aplicado em diferentes partes do mundo. Em vez da retirada integral dos resíduos, a solução técnica prevê a estabilização e o confinamento controlado do material. Os trabalhos compreendem a estabilização geotécnica do terreno, a conformação dos taludes, a revegetação e a implantação de cobertura vegetal permanente.
O arquiteto e assessor técnico da Sepref, Alessandro Lopes, responsável pelo projeto, explicou os benefícios da escolha técnica:
É uma alternativa que reduz significativamente os impactos ambientais que seriam gerados pela remoção total dos resíduos, como o intenso tráfego de caminhões, o aumento das emissões de carbono e a sobrecarga do sistema viário”.
A proposta alinha-se à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2010), à Resolução Conama nº 307, que trata da gestão de resíduos da construção civil, e aos princípios do Estatuto da Cidade.
Atualmente, os taludes gramados substituem as superfícies degradadas. A intervenção assegura estabilidade ao terreno, reduz processos erosivos, minimiza a dispersão de poeira e melhora a integração visual da área com o entorno.
Durante as obras, equipes identificaram a presença irregular de bovinos de grande porte. O proprietário recebeu orientações sobre a impossibilidade de manutenção dos animais no local. Em caso de reincidência, os animais serão apreendidos conforme os procedimentos legais vigentes.
O projeto prevê a ampliação das calçadas, pista de caminhada, áreas contemplativas e espaços destinados à convivência comunitária, com respeito às restrições de uso sob a faixa de servidão da linha de transmissão.
Em etapa futura, o espaço poderá receber árvores frutíferas nativas, viveiros de mudas, hortas comunitárias e iniciativas de educação ambiental. A expectativa é que o local se torne um ambiente favorável para polinizadores, como abelhas e aves.
Alessandro Lopes concluiu que a transformação da chamada Base 8 demonstra o papel relevante de áreas com restrições de ocupação para o desenvolvimento sustentável:
Onde antes havia degradação, começa a surgir uma nova paisagem. E onde muitos viam apenas um terreno abandonado, desponta um espaço com potencial para integrar natureza, educação ambiental e convivência comunitária”.
Segue a lista com as áreas do projeto Parque dos Mangues: