Prédios tortos de Santos: drone filma de perto e imagens são impressionantes

Saiba mais o porquê dessas construções apresentarem essas acentuadas inclinações

Esther Zancan
Publicado em 30/05/2022, às 09h52 - Atualizado às 15h08

Inclinação de algumas construções na orla santista impressionam Prédios tortos de Santos: drone filma de perto e imagens são impressionantes Prédio torto na orla santista, próximo ao canal 4 - Elisa Bargo


Um fato peculiar marca o visual da orla de Santos: diversos prédios tortos. Sim, essas construções estão realmente fora do prumo, não é só impressão de quem passeia pelo calçadão santista não.

Imagens feitas pelo perfil do Instagram @malta.drone mostram bem de pertinho esse curioso defeito arquitetônico. Para os mais perfeccionistas, o vídeo chega a causar até uma certa aflição. 

Por que os prédios de Santos são tortos?

O flagrante foi feito nas imediações do Canal 4 e Igreja do Embaré. Mas por que será que esses prédios são assim?



As construções que apresentam as inclinações datam, de um modo geral, de meados da década de 1960. E, a partir da década de 1970, começaram a ficar tortas, a ponto de causarem certos transtornos aos moradores, por serem prédios residenciais, e também observadas por quem passa na orla.

A culpa de tudo isso está no solo santista. Segundo o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, o solo de Santos é considerado o segundo pior do mundo, perdendo apenas para a Cidade do México. 

O problema é que ele possui uma camada de areia que varia de dez a 12 metros de profundidade, o que é até bom, mas logo abaixo dela, existe uma camada de argila marinha, que não é apropriada para receber tanto peso, e acaba sofrendo um recalque, que é um fenômeno que ocorre quando literalmente o solo afunda e a edificação sofre um rebaixamento. 



Erro de projeto

Quando esses edifícios foram projetados, não houve um estudo de solo adequado, e suas fundações são rasas, levando em conta apenas a camada de areia compacta, e não a camada de argila. 

Segundo o site Engenharia 360, outro agravante foi a proximidade de um prédio com o outro na orla, o que acelera o recalque do solo e, consequentemente, das fundações.

Hoje em dia o problema não ocorre mais nas novas construções porque, o estudo do solo mostrou que estacas a 50 metros de profundidade encontram base em rochas. 



Alguns dos prédios tortos realizaram obras reaprumo da construção. Ainda segundo o Engenharia 360, essa obra consiste em levantar o prédio a partir de macacos hidráulicos nos pilares de fundação. Com o prédio suspenso, é feita uma nova fundação. 

O problema é que esta é uma solução extremamente cara. Estima-se que o valor rateado entre proprietários chegue quase ao valor do próprio imóvel. Mas, como estes sofrem desvalorização pela condição de desaprumo, é uma questão de matemática saber se vale ou não a pena arcar com o gasto.

Apesar desses prédios tortos não terem o risco de queda iminente, essas construções devem apresentar laudos técnicos periodicamente ao Poder Público.



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