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HISTÓRIA SANTISTA

“Portas de Santos” contam história do desenvolvimento da cidade

Já parou para olhar a porta centenária de algum prédio histórico da cidade?

Da redação
14/05/2022 às 09:59.
Atualizado em 14/05/2022 às 13:42
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Portas da Frontaria Azulejada, atual Museu Pelé e edifício localizado na rua do Comércio (Montagem/Esther Zancan)

Portas da Frontaria Azulejada, atual Museu Pelé e edifício localizado na rua do Comércio (Montagem/Esther Zancan)

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Em 476 anos de organização, a cidade de Santos acumula histórias de grande impacto político, econômico e cultural no país e mundo afora. Mas a evolução da cidade também pode ser contada por alguns detalhes que não chegam a chamar tanto à atenção. 

Já parou para olhar a porta de algum prédio histórico, de uma antiga moradia?

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Pois as portas de ferro e madeira que guardam a entrada de centenas de edificações de pé há séculos, não cumprem apenas as funções de estética e segurança, mas caracterizam a cultura, as relações sociais e marcam o desenvolvimento da sociedade santista.

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Grande parte delas pode ser vista no Centro Histórico da cidade, em ruas como a do Comércio, XV de Novembro, o entorno da Bolsa Oficial do Café, da Igreja do Valongo e outros locais.

Utilizadas desde os tempos mais remotos, as portas tinham somente dois papéis: impedir a interferência das condições do tempo e do clima no interior das casas, e evitar que outras pessoas ingressassem no recinto sem permissão.

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Com o tempo, elas ganharam função estética, como componente da fachada, e passaram a ser produzidas de diversos materiais além da madeira, como o ferro, alumínio e vidro.

No início do século 16, as portas eram marcadas pelo estilo colonial. Naquela época, Santos possuía construções mais simples e, por isso, a maioria absoluta das portas era produzida em madeira. 

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Uma das portas do Centro Histórico de Santos que contam um pouco da história da cidade (Carlos Nogueira/Prefeitura de Santos)

Na medida em que a sociedade santista foi se desenvolvendo, com o aumento da população, as peças passaram a ser trabalhadas manualmente, ganhando aspecto arredondado, entalhado e ricamente adornadas. 

Neste período, as portas passaram a ser entendidas como símbolo de status social. Quanto mais trabalhadas, melhor a condição financeira da família proprietária da construção. Por isso, pode-se reparar, nos dias de hoje, que entradas de edificações como palácios, castelos e palacetes costumam ser cobertas de cima a baixo com detalhes artesanais. Prédios pertencentes a igrejas, como conventos e catedrais, seguem o mesmo estilo, visto a enorme influência que tais instituições possuíam no passado.

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Portas de ferro

Já as portas de ferro começaram a surgir a partir do final do século 18, com o aparecimento de usinas siderúrgicas na Europa, durante a Revolução Industrial, e no início do século 19, com a chegada da Família Real no Brasil.

 No Rio de Janeiro, onde a realeza se instalou, o metal passou a ser utilizado para a segurança da Família Real e devido à remodelação da arquitetura da cidade, provocada pela influência de artistas, arquitetos e pintores de diversas partes do mundo, que vieram em razão da presença real no país.

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As mudanças na arquitetura carioca se expandiram ao estado de São Paulo e, consequentemente, a Santos. Utilizar ferro nas construções, material de alto custo por ser importado, já estava relacionado à questão econômico-financeira da sociedade. E, nesse ponto, as duas cidades estavam fortemente influenciadas pelo sucesso da produção e exportação do café.

Ainda na primeira metade do século 19, com a geração de riqueza proporcionada pelo comércio do grão, a arquitetura de Santos passou a ser influenciada de forma geral, tanto em edificações públicas quanto particulares. O ferro, que era pouco utilizado, começou a se tornar material comum na arquitetura da cidade. 

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No município, a utilização visível e maciça deste metal pode ser notada na construção da Estação do Valongo, de projeto inglês, que fez parte da São Paulo Railway Company, de onde saiu a estrada de ferro que ligava Santos à Jundiaí.

Ferro foi muito utilizado na construção da Estação do Valongo (Esther Zancan)

“Eu vejo que essas portas antigas são, para Santos, uma referência de história social e econômica da cidade deste período. Elas representam aquelas famílias que tinham muitas posses, muito dinheiro e que podiam fazer uma grande edificação e pagar bem caro para fazer a decoração de suas casas. É a representação de um período que gerou muito dinheiro por causa do café e fez uma transformação em Santos”, explica o historiador da Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams), Dionísio de Almeida.

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Novas influências

No início da colonização portuguesa, quando a maioria das portas ainda era produzida em madeira, havia preocupação de que as peças seguissem um mesmo padrão para que as vilas e cidades brasileiras lembrassem os povoados portugueses. Porém, no século 19, as peças começaram a seguir outras padronagens na medida em que culturas vindas de outros países como França, Itália, Japão e Síria passaram a influir na arquitetura, tanto pelos artistas vindos do Rio de Janeiro quanto pelos imigrantes que buscavam oportunidade de vida melhor no Brasil. Neste período, em várias partes do país, passou a ser comum encontrar portas com entalhes étnicos e pintadas em cores vibrantes como amarelo, vermelho e azul. 

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“São peças bem bonitas, bem trabalhadas. Nós podemos considerá-las até mesmo como obras de arte. Elas, hoje, fazem parte de todo processo, de toda a história da cidade. Quando a gente fala de evolução social política econômica de Santos e falamos das edificações, observamos essa riqueza visível através de seus portais, suas portas”, finaliza o historiador da Fams.

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