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Não jogue na pia: escolas de Mongaguá superam 1 mil litros de óleo usado recolhidos

Projeto transforma escolas em pontos de coleta, mobiliza estudantes como embaixadores ecológicos e destina o resíduo para a produção de sabão e biodiesel

Redação
Publicado em 26/09/2026, às 14h28

Estudantes e moradores armazenam óleo vegetal frio em garrafas PET e entregam o material em barris instalados nas escolas da rede municipal - Divulgação/ Dyego Gonçalves/Prefeitura de Mongaguá


Uma ação focada na logística reversa e na educação ambiental em sala de aula levou a rede  de ensino de Mongaguá a alcançar uma marca histórica em 2026. As escolas públicas do município arrecadaram mais de 1.000 litros de óleo de cozinha usado ao longo das atividades do Programa Meio Ambiente nas Escolas (PMANE).

A iniciativa é desenvolvida em parceria entre a administração municipal, o Instituto Auá e a empresa de reciclagem Preserva Recicla. O descarte incorreto do óleo vegetal em pias, ralos ou no lixo comum é apontado por técnicos ambientais como um dos maiores gargalos do saneamento básico e da poluição hídrica.

Estimativas ambientais indicam que o descarte de apenas um único litro de óleo vegetal é suficiente para contaminar até 25 mil litros de água potável. Ao retirar mil litros do ciclo comum de resíduos e direcioná-los para a reciclagem, as escolas da cidade evitam a contaminação de milhões de litros de água e reduzem o travamento de gordura nas redes de esgoto locais.



Programa transforma unidades escolares do município em pontos de coleta voluntária de resíduos - Divulgação/ Dyego Gonçalves/ Prefeitura de Mongaguá

O projeto atua na transformação cultural dos bairros. Por meio de capacitações para professores e atividades pedagógicas interativas com as crianças, os prédios escolares foram convertidos em Pontos de Entrega Voluntária (PEVs).

Entre os destaques da rede está a EMEF Ivone de Almeida Monteiro, localizada no bairro Vila Atlântica.

Na unidade, a coordenadora pedagógica Ana Carolina Vicente pontua que a adesão dos alunos ao recolhimento do resíduo tem crescido e impactado o comportamento diário das famílias.



Armazenamento correto e o passo a passo do descarte

Para que o óleo vegetal mantido em casa possa ser processado pelas cooperativas e empresas de reciclagem sem contaminação, o

Resíduo recolhido por estudantes atende a indústria de biocombustíveis e sabão - Divulgação/Dyego Gonçalves/Prefeitura de Mongaguá

 morador deve seguir cuidados básicos no manuseio doméstico:

Quando a garrafa estiver cheia, o morador deve entregá-la em um dos barris de coleta mantidos nas escolas municipais.



Do lixo à matriz energética e bioeconomia

A reciclagem do óleo de cozinha vai além da proteção ambiental dos rios e praias de Mongaguá. O resíduo recolhido possui valor econômico estratégico e serve como matéria-prima para diferentes setores industriais.

Uma parcela do material é processada para a confecção de sabão artesanal, detergentes, tintas, massas e insumos químicos. Outra fatia expressiva do resíduo entra na cadeia de biocombustíveis para a fabricação de biodiesel, combustível renovável que substitui o diesel fóssil no transporte de cargas e passageiros.

Em refinarias de maior tecnologia, o óleo vegetal residual é processado para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês), demonstrando a ponte direta entre o engajamento escolar e a transição energética global.



Ao avaliar a consolidação do programa nas salas de aula e nos bairros, a secretária de Educação de Mongaguá, Maria Marta Soares, ressaltou o papel transformador da conscientização infantil: "Alcançar essa marca de mil litros coletados mostra o poder de mobilização das nossas escolas. A verdadeira preservação começa quando despertamos a consciência ambiental nos nossos alunos desde cedo."

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