Cubatão reforçou sua liderança ambiental ao mostrar projetos de descarbonização, inovação climática e recuperação de ecossistemas
Redação
Publicado em 17/11/2025, às 09h15
Único município paulista presente na programação oficial de painéis, da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), Cubatão reforçou sua liderança ambiental ao apresentar, no Pavilhão Brasil – Blue Zone, a evolução que transformou a cidade de símbolo da poluição industrial em referência nacional e internacional em recuperação ambiental.
O tema, apresentado no sábado (15), integrou debates estratégicos sobre descarbonização e adaptação climática.
O prefeito César Nascimento conduziu o painel e destacou ações estruturantes que colocam Cubatão na vanguarda da sustentabilidade no Brasil. Ele apresentou a trajetória do município, iniciativas consolidadas e projetos que avançam em inovação climática.
“Não viemos à COP apenas contar histórias, mas propor soluções. Nossa experiência, de Vale da Morte a Cidade Verde, nos qualifica para liderar uma nova agenda para o futuro”, afirmou.
Após a apresentação, o prefeito integrou mesa de ideias ao lado de dirigente do Quênia; de Hernán Hougassian, diretor de Transição Ecológica da província de Buenos Aires e de Alessandra Fajardo, diretora executiva técnica do Cebeds.
Entre os projetos exibidos, Nascimento destacou iniciativas de crédito de carbono azul voltadas à captura de CO₂ em manguezais, com potencial para gerar renda limpa no município; casas flutuantes e infraestrutura verde como soluções de adaptação climática e avanços do polo industrial de Cubatão na descarbonização, incluindo diesel 100% renovável, querosene sustentável e implantação de centro dedicado ao hidrogênio verde.
Ele também anunciou o interesse da cidade em instalar um centro de pesquisa de manguezais, fortalecendo a agenda científica e a proteção dos ecossistemas costeiros, fundamentais para a identidade ambiental de Cubatão, na Baixada Santista.
“A parceria entre governo, comunidade e polo industrial funciona. Podemos replicar nossos projetos e mostrar que Cubatão está pronta para liderar soluções de adaptação e transição energética”, afirmou.
A participação na COP30 também ampliou a articulação internacional do município, que iniciou diálogos com União Europeia, governo espanhol e instituições voltadas ao financiamento climático.
O objetivo é captar cooperações técnicas em planejamento urbano, arborização, adaptação e desenvolvimento social.
A vice-prefeita e secretária de Habitação, Andrea Castro, destacou o potencial de investimentos. “Esta é a COP da adaptação, mas também do financiamento. Conversamos com muitos fundos internacionais, e há interesse em boas práticas. Cubatão mostrou que está pronta”, disse.
A comitiva também incluiu Cleiton Jordão Santos, secretário de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-estar animal, e Claudio Barazal, secretário de Comunicação Social. Ao longo da semana, eles participaram de encontros temáticos e rodadas de negociação.
No Amazon Climate Hub, Cleiton Jordão apresentou ações de transição energética e governança ambiental, com destaque para recuperação de áreas naturais, uso de bioengenharia e avanços industriais rumo à descarbonização.
Andrea Castro representou Cubatão em painel com o governo argentino sobre redução de superpoluentes e urbanização sustentável, e reuniu-se com delegações da Coreia do Sul e da China para ampliar cooperações internacionais.
O município também avançou em tratativas com fundos como Fonplata, União Europeia e GIZ, apresentando projetos de urbanização da Vila dos Pescadores e Vila Esperança, além de ações de adaptação climática e recuperação de ecossistemas. Segundo a delegação, o retorno foi positivo e abre caminho para novos investimentos.
Durante os anos 1980, Cubatão chegou a ser conhecida como “Vale da Morte”, em decorrência do desenvolvimento inicial voltado à industrialização e sem planejamento.
O título, no entanto, não paralisou a comunidade, pelo contrário, serviu de motor para dar início a uma extraordinária jornada de recuperação, que uniu poder público e iniciativa privada e se tornou modelo para elaboração de políticas públicas voltadas à preservação ambiental no país.
Os investimentos foram da ordem de US$ 1,2 bilhão, entre 1984 e 2000, aplicados principalmente em filtros e equipamentos para reduzir emissões. O resultado foi a queda de 90% a 95% dos poluentes atmosféricos.
Outro exemplo de pioneirismo do município, nas questões ligadas à preservação ambiental, está no controle de balneabilidade das águas do mar e dos rios no estado de São Paulo, mantido pela Cetesb, que começou em Cubatão.
O reflorestamento da Serra do Mar também merece destaque, pois foi elaborado a partir da técnica de semeadura aérea: cápsulas de gelatina contendo sementes em germinação foram lançadas de helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) e de avião agrícola de forma a atingir os mais altos pontos das escarpas. Um modelo de recuperação até então inédito no país.
Como resultado, as escarpas da Serra do Mar voltaram a ser totalmente verdes, os rios foram recuperados e os manguezais se regeneraram, trazendo de volta espécies como o guará-vermelho, hoje símbolo de resistência e renascimento ambiental.
Cleiton Jordão destaca que Cubatão mostra ao mundo que é possível reconstruir uma cidade com união de esforços e planejamento. “O município deixou para trás a marca negativa e se consolidou como exemplo de transformação ambiental, social e urbanística, reconhecido em instâncias globais”, reforça.
Assim como a cidade superou o passivo ambiental deixado pelo ciclo de industrialização, agora enfrenta o desafio social.
O histórico de ocupações precárias, associado à migração de trabalhadores de diferentes regiões do país, gerou vulnerabilidades que agora são enfrentadas com políticas habitacionais estruturadas.
Os projetos habitacionais integram o esforço maior de Cubatão, em alinhar-se à Agenda 2030 da ONU.
A estratégia reforça que o desenvolvimento sustentável não se limita à preservação ambiental: exige também justiça social e prosperidade compartilhada, conforme destaca Jordão: “Não se trata apenas de entregar um apartamento. Quando retiramos famílias de áreas vulneráveis, damos a elas a oportunidade de viver com dignidade, segurança e equidade climática”.
Projetos estaduais foram decisivos nessa trajetória, a exemplo do Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar, que reassentou famílias em áreas de risco e restaurou encostas.
A Cetesb modernizou estações de monitoramento e garantiu maior controle ambiental. Além disso, políticas como o Município Verde Azul, o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE-SP) e o ICMS Ambiental fortalecem a gestão e ampliam recursos financeiros.
Em 2025, Cubatão reafirmou seu compromisso como cidade modelo de desenvolvimento sustentável, quando recebeu o selo Tree Cities of the World, concedido pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), em parceria com a Arbor Day Foundation.
A certificação internacional simboliza mais de três décadas de recuperação e planejamento, em continuidade ao reconhecimento obtido durante a Conferência da Eco-92, no Rio de Janeiro, quando a cidade foi citada como exemplo mundial de reabilitação ambiental, e, novamente na Rio+20, em 2012, como modelo de sustentabilidade.
O selo Tree Cities exige que os municípios cumpram cinco critérios globais de gestão florestal urbana: governança clara; legislação para áreas verdes; inventário arbóreo; orçamento dedicado e ações de educação ambiental. Cubatão não apenas cumpriu, como superou esses requisitos.
O Plano Municipal de Arborização Urbana (2020) mapeou 22 mil árvores de 76 espécies distintas e estabeleceu bases legais, como a Lei nº 3.738/2020.
De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-estar Animal, Cleiton Jordão, o município já estrutura a Política Municipal de Arborização Urbana e prevê o plantio e substituição de mais de 3 mil árvores por ano, priorizando espécies adequadas para o ambiente urbano, como ipês, manacás e quaresmeiras.
O programa Cubatão + Verde já garantiu o plantio de 150 mil mudas nativas no Parque Estadual da Serra do Mar, em uma década. Projetos habitacionais integrados, como Vila Esperança, Vila dos Pescadores e Ilha Caraguatá, recuperam ecossistemas e devolvem áreas verdes às comunidades.
Cubatão está alinhada ao Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc), que traça medidas para enfrentar as mudanças climáticas até 2035. Isso inclui ações de proteção de nascentes, reflorestamento, contenção de encostas e ampliação de áreas verdes.
A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirma: “Cubatão simboliza a capacidade de transformação que queremos ampliar em todo o estado. O Pearc traz soluções práticas para reduzir riscos climáticos e melhorar a qualidade de vida, com foco especial na proteção das áreas mais vulneráveis”.
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