Guarujá antecipou ações contra o mosquito; Santos, Cubatão e Peruíbe reforçam medidas para enfrentar possíveis impactos climáticos
Geilton Junior
Publicado em 28/10/2026, às 16h58 - Atualizado às 16h59
A aproximação do verão aumenta a preocupação com a dengue e com os possíveis impactos do El Niño, na Baixada Santista. Diante do cenário climático, municípios da região adotaram medidas preventivas que incluem fiscalização de imóveis, limpeza de sistemas de drenagem, monitoramento meteorológico e preparação das equipes de Defesa Civil.
O alerta envolve duas frentes de prevenção. O calor e a água parada favorecem a reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Já a possibilidade de temporais intensos exige atenção a alagamentos, deslizamentos, ventos fortes e ressacas.
Os efeitos do El Niño variam conforme a região e não significam, por si só, que haverá uma epidemia ou um período de chuvas acima da média em todas as cidades.
Em Guarujá, a prefeitura antecipou a Operação Checkout, voltada à fiscalização de 141 hotéis, pousadas e estabelecimentos turísticos. A iniciativa busca eliminar possíveis criadouros do mosquito antes da alta temporada e orientar funcionários sobre a prevenção.
A cidade também instituiu um protocolo especial para enfrentar possíveis impactos climáticos, com vigência prevista de 1º de novembro de 2026 a 30 de abril de 2027.
Em Santos, a Defesa Civil antecipou o plano preventivo para ampliar o período de preparação para eventos climáticos extremos. As ações incluem vistorias em áreas de risco, monitoramento meteorológico, limpeza preventiva de canais e sistemas de drenagem e acompanhamento da orla. A partir de novembro, a operação contará com reforço de mais de 170 servidores municipais.
Cubatão criou uma comissão permanente para acompanhar o fenômeno e trabalha na elaboração de um plano municipal de enfrentamento. A estratégia prevê integração entre secretarias, capacitação, orientação aos moradores e acompanhamento das condições meteorológicas, além da preparação para ocorrências em áreas vulneráveis.
Em Peruíbe, as medidas incluem desassoreamento de rios, limpeza de canais e galerias pluviais e instalação de sensores para monitorar o nível da água em pontos críticos. O município também executa intervenções para reduzir riscos de deslizamentos e minimizar os efeitos das ressacas na faixa costeira.
Outras cidades da região também mantêm ações preventivas. São Vicente conta com intervenções de drenagem e planejamento para ampliar os sistemas de macro e microdrenagem. Itanhaém executa serviços de desassoreamento, enquanto Mongaguá mantém o monitoramento meteorológico e a limpeza de galerias, rios e córregos.
As medidas têm objetivos diferentes, mas fazem parte da preparação dos municípios para o período de verão, quando o aumento das chuvas, a circulação de turistas e as temperaturas elevadas exigem atenção dos serviços públicos.
A Baixada Santista registrou redução de 82,1% nos casos de dengue nos primeiros sete meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. A queda, porém, não elimina o risco de novos aumentos durante os meses mais quentes.
A prevenção depende da eliminação de criadouros, da fiscalização de imóveis e da participação dos moradores. Caixas-d'água devem permanecer tampadas, recipientes não podem acumular água e calhas precisam estar limpas.
O acompanhamento dos dados epidemiológicos e das condições climáticas será importante para orientar as ações de saúde e defesa civil nos nove municípios da região.