“Não é só festa. É luta e resistência”, diz cacique do litoral de SP sobre celebrações em aldeia

Guaranis da aldeia Rio Silveira abriram as portas de seu território no litoral de SP durante oito dias de homenagens ao Dia do Índio. Aldeia prossegue aberta à visitação, diz cacique Adolfo Wera Mirim. Segundo ele, além de festejo, semana de celebrações foi também ato político que reafirma resistência indígena

Da redação
Publicado em 25/04/2022, às 12h22 - Atualizado às 15h32

Luta marcial Huka-Huka na Aldeia Afukuri da etnia Kuikuro Kuikuro - Guaranis da aldeia Rio Silveira abrem as portas de seu território no litoral de SP em celebração ao Dia do Índio - Imagem meramente ilustrativa: Reprodução / Prefeitura de Bertioga / FIB


Chegaram ao fim neste domingo (24) os oito dias de celebração ao Dia do Índio na aldeia guarani Rio Silveira, na divisa entre Bertioga e São Sebastião, no litoral de São Paulo.

Visitas à aldeia, no entanto, continuam abertas o ano inteiro “com agendamento”, afirmou o cacique Adolfo Wera Mirim ao fazer um balanço das celebrações, em entrevista ao Portal Costa Norte na última semana.

“Sempre tem evento programado com visitação. O ano inteiro, na semana. Fazer tipo, intercâmbio com os povos indígenas aqui. Esse passeio na trilha, ver a questão da parte ambiental da aldeia”, explicou o cacique, que esteve à frente da organização da semana de celebrações.



Índigena da Aldeia Ribeirão Silveira com pintura tradicional durante Festival Indígena de Bertioga Capa - Guaranis da aldeia Rio Silveira abrem as portas de seu território no litoral de SP em celebração ao Dia do Índio Índigena com pintura tradicional no r (Imagem: Divulgação FIB / Prefeitura de Bertioga)

Os oito dias festividades no território Rio Silveira começaram no último dia 16, quando as cerca de 120 famílias das etnias Guarani Mbya e Tupi-Guarani Ñandeva abriram as portas da aldeia aos visitantes para uma série de atividades que davam um panorama de sua cultura milenar.

Segundo o cacique Wera Mirim, houve, no período, trilhas pelas paisagens do território, demonstrações do uso de tecnologias indígenas como arco, flecha e zarabatana, cantos, pinturas corporais tradicionais, entre outras atividades culturais.



O fluxo de visitantes, que também tiveram o privilégio de adquirir peças de artesanato, alimentos orgânicos e plantas ornamentais cultivadas na aldeia, se deu dentro do esperado, calculou Wera Mirim,.

Celebrações acontecem durante oito dias no mês dos índios Banner - Guaranis da aldeia Rio Silveira abrem as portas de seu território no litoral de SP em celebração ao Dia do Índio Cartaz com menina indigena (Imagem: Divulgação / Aldeia Rio Silveira)

Segundo ele, apesar do clima de celebração, há também um teor político na abertura do território da aldeia.



“A semana do Dia do Índio, pra nós, não é só festa. É luta e resistência. É importante por causa da resistência dos povos indígenas, o povo originário do Brasil. É pra mostrar pra sociedade que os índios existem. Existem aqui em Bertioga, em São Sebastião, e o movimento de luta continua. A sociedade precisa saber que existe um povo indigena aqui”, explicou.

O período das celebrações da aldeia Rio Silveira, que teve apoio cultural do Sistema Costa Norte, coincidiu em parte com o do Festival Indígena de Bertioga (FIB), que começou três dias depois, no dia 19, e terminou um dia antes, no último sábado (23), no Parque dos Tupiniquins, região central de Bertioga.

A programação de ambos os eventos, no mês do Dia do Índio, buscou preservar, valorizar e divulgar os costumes indígenas. Organizado pela gestão municipal de Bertioga e produzido pelo Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena (ITC), o FIB foi realizado de forma integrada com a semana de celebrações da aldeia Rio Silveira, mas contou também a participação de outras etnias do litoral e do Brasil.