Proporcionalmente, cidade registra maior crescimento populacional da Baixada Santista na última década.
Da redação
Publicado em 19/05/2023, às 06h00 - Atualizado às 13h07
A cidade de Bertioga, litoral de SP, completa 32 anos de emancipação nesta sexta-feira (19). Moradores ouvidos pela reportagem e pesquisas de opinião recentes mostram que a administração da cidade é vista com bons olhos entre a maioria da população, sobretudo em questões de mobilidade e zeladoria urbana.
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Com crescimento populacional superior a um terço em pouco mais de uma década Bertioga deixou a lanterna da Baixada Santista, posto agora ocupado pela sessentona Mongaguá com três mil habitantes a menos. Segundo a prévia do Censo IBGE 2022, a quantidade de moradores de Bertioga saltou de 47 mil em 2010 para 64 mil em 2022 – aumento de 17 mil habitantes (números arredondados).
A atendente Claudia Sousa, 23 anos, e a cuidadora Kelly de Lima, 34, são duas desses 17 mil moradores que engrossaram a população da cidade na última década. Ambas avaliam bem principalmente melhorias na mobilidade e no embelezamento da cidade turística.
Moradora no bairro Chácaras, com o marido e dois filhos de seis e dois anos, Cláudia destaca o quem tem visto na cidade: “Acho que Bertioga melhorou nesses quatro anos desde que moro aqui; antes eu morava em São Luís, no Maranhão. As ruas, você vê que muitas foram asfaltadas”.
Kelly, moradora do mesmo bairro há nove anos, faz coro. “Eu morava em Pernambuco. Na época, eu era casada, o pai da minha filha trabalhava aqui em Bertioga e eu acabei vindo pra cá com ele. Atualmente, aqui desenvolveu bastante. Eu acho que cresceu muito desde que eu cheguei”.
Sobretudo duas obras em curso atualmente prometem melhorar substancialmente a mobilidade de moradores e de turistas na cidade. Uma delas é a construção de uma ciclovia da avenida Anchieta até a divisa com o calçadão do Canal de Bertioga. A outra é a revitalização da avenida Tomé de Souza, uma das principais de Bertioga, às margens da orla da praia.
A reportagem solicitou detalhes das obras à prefeitura de Bertioga, que não respondeu. No entanto, durante um anúncio da obra na avenida Tomé de Souza nas redes sociais, o prefeito Caio Matheus e o secretário de Obras Luiz Carlos Rachid disseram que, ao custo de R$ 47 milhões, a intervenção prevê uma nova ciclovia e um espaço de trânsito mais adequado para pedestres, corredores e ciclistas.
“Cada vez entra mais gente na nossa cidade”, explicou o prefeito Caio Matheus durante o anúncio. “A gente pretende melhorar bastante o sistema viário e a mobilidade para quem entra na nossa cidade pela 19 de Maio. E, para isso, a gente está em obras não só para revitalizar toda a Tomé de Souza. Ganha o turismo porque a cidade vai acomodar, receber melhor o turista”.
Moradora da região central de Bertioga desde que nasceu há 18 anos, a atleta e universitária Amanda Sayuri se desdobra entre as aulas de educação física em uma universidade de Santos, os intensos treinos de caratê que a levaram ao panamericano da modalidade no ano passado e raros momentos de lazer na cidade.
Nessa rotina pesada, diz ela, melhorias viárias que a façam economizar alguns minutos diários são muito bem-vindas. “Ultimamente eu uso carro e bicicleta. Eu vi que agora estão fazendo uma ciclovia para essa parte mais do centro. Eu achei bem legal, porque fica até mais seguro, por conta de você não andar de bicicleta na rua no meio dos carros. Vai fazer parte do meu dia a dia. Vai ser bem mais fácil e mais seguro”, explica a carateca.
Mais de 90% do território de Bertioga são de preservação permanente. São dois parques estaduais, 12 trilhas homologadas, 33 km de orla de praia e o primeiro forte do Brasil (Forte São João). Em feriados prolongados e períodos de férias, não é incomum a quantidade de pessoas na cidade triplicar.
Uma pesquisa da Badra do início do ano apontou que a atual administração da cidade é aprovada por 75,7% dos moradores, melhor avaliação entre as cidades da Baixada Santista.
As moradoras ouvidas pela reportagem concordam com a boa avaliação. “A cidade melhorou muito o incentivo ao esporte e está promovendo bastantes eventos. Querendo ou não, Bertioga é uma cidade turística e esses eventos fazem com que a cidade chame atenção de gente de fora. Acho bem bacana”, avaliou a atleta Amanda.
“Eu acho que no centro, óbvio, a prefeitura investe mais, mas, assim, nos bairros também deu uma melhorada”, opinou Kelly. “Acho a cidade boa. Ando de ônibus, de bike, agora tá mais fácil me locomover”, disse Cláudia.
No comando da cidade desde 2017, o prefeito Caio Matheus afirma que o tripé turismo, turismo ambiental e mercado imobiliário sustenta o crescimento da cidade. Porém nem sempre foi assim, disse ele em entrevista sobre o aniversário da cidade no início do mês ao podcast o Diário.
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“[Durante as eleições] em 2016, a gente entendeu que faltava um plano estratégico pra cidade, mas, quando eu assumi em 2017, eu vi que o problema era ainda maior porque a cidade não estava com a saúde financeira adequada. A gente herdou a cidade diante da maior crise econômica que o Brasil via nas últimas sete décadas e existia uma dívida também sem receita pra pagar. A primeira coisa que a gente teve que fazer foi estancar esse ferimento, resgatar a credibilidade na praça, colocar as contas em dia”, explicou.
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