Em 19 de maio, a cidade comemora aniversário de emancipação político-administrativa, mas tem muita história para contar sobre décadas que antecedem a data
Mayumi Kitamura
Publicado em 17/05/2024, às 09h00 - Atualizado às 09h01
Há exatos 33 anos, em 19 de maio de 1991, Bertioga votou em plebiscito e conquistou a sua emancipação político-administrativa. Nessa época, as fotos não eram registros tão comuns como atualmente - basta um celular -, por isso, nas décadas que antecedem esse período, eram quase artigos de luxo. Reunimos fotografias de alguns momentos históricos e de locais que passaram por transformações. Volte no tempo:
Cartão-postal da cidade, o Forte São João é o monumento mais conhecido e passou por reconstruções, ampliações e reformas, desde 1560. Suas paredes já abrigaram desde o santo José de Anchieta até militares, na década de 1940.
Já uma das figuras históricas, que escolheu Bertioga para construir seu recanto, foi o poeta Vicente de Carvalho, que ergueu uma casa no bairro do Indaiá, na qual recebia personalidades ilustres da época, como Washington Luís, que foi presidente do Brasil e governador de São Paulo. Posteriormente, o chamado Sítio Indaiá foi adquirido pelo empresário José Ermírio de Moraes, responsável por diversas implantações pelo progresso da cidade. O empresário, dono da Indústria Votorantim, providenciou, por exemplo, a abertura de um caminho por terra, para o acesso ao Guarujá, a atual rodovia Ariovaldo de Almeida Viana, ou Guarujá-Bertioga, que acessa a travessia marítima.
Duas décadas depois das fotografias que imortalizaram os momentos do poeta, em sua casa no Indaiá, em 1948, foi inaugurada a Colônia de Férias Ruy Fonseca, atual Centro de Férias Sesc Bertioga. Sua construção moldou o futuro bairro Rio da Praia, região adotada para ser o lar de muitos dos trabalhadores do local, e se tornou um marco no início do desenvolvimento da área, então subprefeitura de Santos. Bertioga só se tornou distrito em 1969.
Ainda assim, quando as pessoas saíam de suas cidades, para passar um período no Sesc, a chegada não era tão simples. Nessa época, o acesso a Bertioga era possível por meio de duas barcas diárias da Companhia Santense, que aportava no atual Centro. Dalí, eram transportadas pela orla da praia em veículos que, por vezes, atolavam.
O desenvolvimento da cidade, iniciada como vila de pescadores, prosseguiu ao longo dos anos e, por volta de 1955, foi inaugurada a primeira loja de materiais para construção da cidade, a Viga Mestra, no Centro. Dez anos depois, em 1965, foi a vez de a eletricidade chegar a Bertioga, o que possibilitou o abandono dos lampiões. Na década de 1970, Terezia Vari, a dona Terezinha, inaugurou a Droga Love, uma das primeiras farmácias da cidade. Neste mesmo período, os moradores locais viram o início do maior empreendimento imobiliário de Bertioga, a Riviera de São Lourenço.
E assim, em 19 de maio de 1991, após intenso engajamento com a terceira movimentação pela emancipação, Bertioga se tornou município por decisão de plebiscito. A eleição para a escolha dos representantes da cidade só veio em outubro de 1992, elegendo José Mauro Orlandini para o pleito 1993-1996 e onze vereadores. A partir disso, a história político-administrativa se formou e continua a ser escrita, mas essa é pauta para uma futura matéria.
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