Baleia-fin, a segunda maior do planeta, surpreende pesquisadores ao surgir no Canal de São Sebastião

Espécie rara na costa brasileira foi avistada em Ilhabela e chamou a atenção de especialistas por aparecer em uma área incomum para seus hábitos

Reginaldo Pupo
Publicado em 16/06/2026, às 00h04

A baleia-fin no Canal de São Sebastião. Espécie rara na costa brasileira chamou a atenção de especialistas - Divulgação


Em meio ao espetáculo das baleias-jubarte, que nesta época do ano transformam o Canal de São Sebastião em uma das principais rotas de observação de cetáceos do litoral paulista, uma visitante inesperada chamou a atenção de pesquisadores e moradores neste domingo (14). Uma baleia-fin, espécie rara na região, foi avistada nadando tranquilamente pelas águas do canal, em Ilhabela.

O registro foi feito por ocupantes de uma embarcação que navegava pelo local. A aparição despertou o interesse de cientistas e biólogos marinhos, já que a baleia-fin (Balaenoptera physalus) raramente é observada nessa área da costa brasileira.

Considerada a segunda maior espécie animal do planeta, atrás apenas da baleia-azul, a baleia-fin pode atingir entre 20 e 26 metros de comprimento e pesar de 45 a 80 toneladas. Apesar de sua distribuição global, ela costuma habitar águas temperadas e polares, sendo mais comum em regiões oceânicas afastadas da costa. Por isso a surpresa dos pesquisadores.



Outro fator que intrigou os especialistas foi o fato de o animal ter sido avistado em uma área relativamente confinada, no Canal de São Sebastião, já que a espécie prefere o mar aberto. Biólogos e monitores que acompanharam a ocorrência relataram que a baleia aparentava estar magra e debilitada, motivo pelo qual passou a ser monitorada por equipes especializadas.

A baleia-fin possui uma característica única entre os grandes cetáceos. Sua mandíbula apresenta coloração assimétrica. O lado direito da boca e das barbatanas é branco, enquanto o esquerdo varia entre o cinza-escuro e o preto. O dorso costuma ter tonalidades entre o cinza-acastanhado e o preto, contrastando com a região ventral esbranquiçada.

Conhecida como o “galgo dos mares”, a espécie é a mais veloz entre as grandes baleias, podendo ultrapassar os 37 km/h. Seu canto, formado por sons de baixa frequência, é considerado um dos mais potentes do reino animal e pode percorrer centenas de quilômetros debaixo d’água. A alimentação é baseada principalmente em pequenos peixes, lulas e krill, capturados por meio de um eficiente sistema de filtração.