Você tem dinheiro retido no FGTS? Rombo de R$79 bi afeta 50 milhões; veja se tem a receber

Dívidas se dividem entre notificações recentes da Caixa e valores inscritos na Dívida Ativa da União; trabalhador pode verificar o extrato pelo aplicativo oficial

Rhauanny Queiroz
Publicado em 23/09/2026, às 13h08

Levantamento aponta bilhões de reais em depósitos do FGTS que deixaram de ser feitos por empresas - Reprodução/ND Mais


O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de cerca de 50 milhões de trabalhadores é afetado pela falta de R$79 bilhões em depósitos por empresas, segundo levantamento do IFGT (Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador).

O fundo completou 60 anos em setembro, e parte dos valores apontados pode ser recuperada pelos trabalhadores.

De acordo com o presidente do IFGT, Mario Avelino, pelo menos 95% das empresas que possuem débitos continuam em atividade. O levantamento também considera empresas que faliram ou estão em recuperação judicial.



Os R$79 bilhões estão divididos em duas frentes. Uma delas corresponde a R$12,6 bilhões em notificações recentes da Caixa Econômica Federal, com impacto direto sobre 11 milhões de trabalhadores. A maior parcela, de R$66 bilhões, está relacionada a dívidas de aproximadamente 500 mil empresas inscritas na Dívida Ativa da União.

Empresas devem R$66 bilhões em depósitos do FGTS

Segundo as informações apresentadas no levantamento, a cobrança dos R$66 bilhões inscritos na Dívida Ativa da União está sob responsabilidade da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional).

Já os R$12,6 bilhões constam em notificações recentes da Caixa e atingem diretamente cerca de 11 milhões de trabalhadores. O levantamento do IFGT, que estima o impacto sobre 50 milhões de trabalhadores, utiliza dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além de informações da PGFN.

O levantamento também aponta que o problema aumentou. Em setembro de 2025, a dívida das empresas notificadas era de R$10 bilhões e afetava 9,5 milhões de trabalhadores. Segundo os dados apresentados, em 11 meses houve aumento de 26% no valor e de 16% na quantidade de trabalhadores prejudicados.

Como descobrir se faltam depósitos

O trabalhador pode conferir se os depósitos estão sendo feitos corretamente por meio do extrato do FGTS disponível no aplicativo oficial do fundo.

O IFGT também lançou uma ferramenta gratuita chamada FGND (Fundo de Garantia Não Depositado). A plataforma faz uma análise automatizada a partir do extrato do trabalhador e pode indicar períodos em que não houve depósito, além dos valores correspondentes.

Para utilizar a ferramenta, é necessário gerar o extrato do FGTS em PDF pelo aplicativo oficial da Caixa e inserir o documento na plataforma. Depois da análise, o sistema apresenta um relatório com possíveis meses sem recolhimento e os respectivos valores.

Caso sejam encontradas diferenças ou períodos sem depósitos, o trabalhador pode reunir documentos que comprovem a situação, como contracheques, contrato de trabalho e extratos do FGTS.

Como consultar o extrato do FGTS

A consulta pode ser feita pelo aplicativo FGTS, da Caixa Econômica Federal, disponível para celulares Android e iPhone. Pelo aplicativo, é possível acompanhar os depósitos feitos pelo empregador, verificar o saldo, atualizar informações e solicitar saques quando houver enquadramento nas situações previstas em lei.

A Caixa também disponibiliza gratuitamente um serviço de envio de informações por SMS. As mensagens informam mensalmente os depósitos feitos pelo empregador e, a cada seis meses, apresentam o saldo atualizado da conta.

O serviço também pode avisar sobre valores liberados para saque. A adesão ao serviço pode ser feita pelo próprio aplicativo FGTS.

O que fazer se houver irregularidade

A ausência de depósitos também pode ser comunicada à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) e pelo telefone 158, da Central Alô Trabalho. As informações podem auxiliar a fiscalização na verificação da situação do empregador.

Segundo as informações apresentadas, se a irregularidade for confirmada e não houver regularização, a Auditoria-Fiscal do Trabalho pode exigir o pagamento dos valores devidos e adotar as medidas cabíveis.

O trabalhador também pode buscar a Justiça do Trabalho para pedir o reconhecimento e a reparação de direitos relacionados aos depósitos não realizados. Conforme as informações fornecidas, existe o prazo de até dois anos após o encerramento do contrato para ajuizar a ação. Dentro desse período, em regra, podem ser cobrados valores referentes aos cinco anos anteriores ao ajuizamento.

FGTS completa 60 anos

Criado em 1966, o FGTS entrou em vigor em 1º de janeiro de 1967. O fundo foi estabelecido como uma reserva financeira vinculada ao trabalhador e também passou a financiar projetos relacionados à habitação.

Os empregadores passaram a fazer depósitos mensais equivalentes a 8% do salário do funcionário em uma conta individual. Inicialmente, os recursos eram administrados pelo Banco Nacional da Habitação (BNH). Posteriormente, a gestão passou para a Caixa Econômica Federal, que atualmente administra o fundo.

O dinheiro depositado no FGTS pode ser movimentado nas situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, aquisição da casa própria, aposentadoria e determinadas doenças graves.

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