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Sarampo volta a provocar estado de emergência nos EUA; como está a situação no Brasil?

Nova York registrou 108 casos da doença em 2026; cenário reacende alerta sobre vacinação e mostra como vírus controlado pode voltar a circular

Geilton Junior
Publicado em 06/10/2026, às 15h30

No Brasil, o vírus não apresenta transmissão endêmica, mas autoridades mantêm ações de vigilância e vacinação - Divulgação/Anvisa


Uma doença que, durante anos deixou de representar preocupação cotidiana em diversos países, voltou a ocupar o centro dos alertas de saúde pública. Nova York declarou estado de emergência por causa de um surto de sarampo, após registrar 108 casos em 2026.

A medida, anunciada na segunda-feira (5), vale até 4 de novembro e amplia as ações de vacinação e vigilância no estado. Dos casos registrados em Nova York, 92 foram identificados desde 15 de julho, distribuídos por 18 condados, principalmente em comunidades rurais com baixa cobertura vacinal.

Sete casos ocorreram na cidade de Nova York e os demais no interior do estado. Mais de mil doses da vacina tríplice viral já foram aplicadas nas áreas afetadas. O cenário também preocupa em outras regiões dos Estados Unidos.



A vizinha Pensilvânia já ultrapassou mil casos de sarampo, segundo as autoridades locais, no que se tornou o maior surto estadual em mais de três décadas. Em todo o país, são quase 3.900 casos em 2026, o maior número anual desde 1991.

Doença controlada, mas não esquecida

O avanço do sarampo nas Américas chama atenção porque a doença havia deixado de apresentar transmissão sustentada em diversos países. O sarampo é altamente contagioso e pode voltar a circular quando encontra grupos de pessoas sem proteção vacinal suficiente.

Em fevereiro, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) já havia emitido um alerta diante do aumento expressivo de casos na região. Em 2025, as Américas registraram 14.891 casos confirmados, 32 vezes mais do que os 466 registrados em 2024. Naquele ano, também foram contabilizadas 29 mortes.



A situação se agravou em 2026. Até 18 de julho, a região já havia registrado 47.459 casos confirmados e 44 mortes, número superior ao total de todo o ano anterior. Estados Unidos, Guatemala, México e Peru concentram a maior parte das infecções.

E o Brasil?

O Brasil continua considerado livre da transmissão endêmica do sarampo. O país recebeu novamente, em novembro de 2024, a certificação da Opas que reconhece a eliminação da circulação endêmica do vírus. Isso, porém, não significa que novos casos sejam impossíveis.

Segundo o Ministério da Saúde, o país registrou 42 casos confirmados em 2026 até a semana epidemiológica 38. A maior parte está concentrada no estado de São Paulo, que contabiliza 36 casos. Também foram registrados casos no Rio de Janeiro e no Amazonas.



Em setembro, o Ministério da Saúde intensificou a vigilância em Tabatinga (AM) após a confirmação de três casos importados. A cidade está localizada na região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, área marcada por intenso fluxo de pessoas.

Em São Paulo, os registros também motivaram ações de vigilância e vacinação. O Ministério informou que os casos identificados no estado estavam concentrados na capital e em municípios da região metropolitana, sem evidência, naquele momento, de circulação sustentada para outras áreas.

Por que a vacinação é tão importante?

O histórico recente mostra por que a manutenção da vacinação continua sendo uma das principais estratégias contra o sarampo. O Brasil chegou a perder, em 2019, a certificação de eliminação da doença após a retomada da circulação do vírus e mais de 12 meses de transmissão.



Entre 2018 e 2022, foram registrados 39.816 casos de sarampo no país, com 21.741 somente em 2019. A partir de 2021, os registros caíram de forma acentuada. Em 2023, não houve casos confirmados.

A situação atual é diferente: o Ministério da Saúde destaca que casos isolados, importados ou relacionados à importação não significam, por si só, o retorno do sarampo como problema de saúde pública no país. Eles, entretanto, reforçam a necessidade de manter altas coberturas vacinais e uma vigilância capaz de identificar rapidamente novos casos.

Vacina está disponível gratuitamente pelo SUS

A principal forma de prevenção contra o sarampo é a vacinação. A tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).



Para as crianças, o calendário de rotina prevê duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Em situações de circulação do vírus, o Ministério da Saúde pode recomendar estratégias adicionais, como a chamada dose zero para crianças de 6 a 11 meses.

O alerta internacional, portanto, não significa que o Brasil esteja vivendo um novo surto nacional. O cenário mostra, porém, que a eliminação da transmissão não significa o desaparecimento definitivo do risco, especialmente diante da circulação do vírus em outros países e do fluxo internacional de pessoas.



Saúde