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Falta de acessibilidade afeta pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Dados do IBGE mostram diferença salarial e exclusão em cargos de chefia; especialistas cobram adaptação nas empresas e respeito às leis

Redação
Publicado em 30/09/2026, às 20h00

Obstáculos começam nas calçadas irregulares e seguem até as vagas de emprego - Reprodução/TV Câmara de São José dos Campos


As pessoas com deficiência (PCDs) enfrentam barreiras diárias que vão muito além do preconceito nas ruas. A falta de acessibilidade urbana e a discriminação estrutural limitam o acesso à educação básica e empurram esses cidadãos para cargos de menor remuneração no mercado de trabalho.

O ativista da causa PCD, Robson Souza, sofre de uma doença motora degenerativa e vivencia as dificuldades para executar atividades comuns. Ele explica que a exclusão começa no próprio perfil das vagas oferecidas pelas corporações.

Às vezes, aparece uma vaga padrão e aquela vaga não se enquadra numa pessoa com deficiência. A gente vê muito a pessoa que consegue se formar e ir para o mercado de trabalho ter que trabalhar fora do seu campo de formação, em cargos operacionais, porque as empresas são concebidas dentro de um padrão de cobrança de resultados que muitas vezes não dá tempo de adaptar essa pessoa”, relata o ativista.

Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022 confirmam o cenário de desigualdade. A diferença salarial mensal entre profissionais com e sem deficiência ultrapassou os R$800. Enquanto um trabalhador sem deficiência recebia, em média, R$2.890, um funcionário com deficiência ganhava R$2.053.



A disparidade aumenta nos cargos de chefia. Dos 2,3 milhões de postos gerenciais no Brasil, apenas 59 mil (2,5%) pertencem a pessoas com deficiência. A advogada especialista no direito dos PCDs, Rebecka Barbosa, analisa os dados.

“Mesmo quando as pessoas com deficiência entram no mercado de trabalho, elas sempre estão em cargos menores e, mesmo quando exercem a mesma função de pessoas sem deficiência, elas recebem bem menos e sem possibilidade de promoção. Então a gente percebe que existe um preconceito estrutural ali”, afirma Rebecka.

Acesso à educação e mobilidade

A pesquisa também aponta reflexos graves na escolaridade. Entre jovens de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo atinge 12,2% para PCDs, contra apenas 1% para pessoas sem deficiência.



A advogada ressalta que as políticas públicas precisam garantir o acesso físico aos espaços para reverter esse quadro.

As pessoas com deficiência têm mais dificuldade de acessar a educação em todos os níveis. É um projeto social e político de exclusão. Apesar de todas as políticas públicas afirmativas, a gente ainda tem uma estrutura de exclusão social sistemática a partir do momento em que não viabilizamos o acesso para além da rampa”, alerta Rebecka.

O ativista Robson Souza reforça que o simples trajeto até o emprego ou a escola atua como um agente de exclusão, principalmente nos bairros periféricos.

“Boa parte dos trajetos precisa ser feita pelo meio da rua por não termos possibilidade de transitar pelas calçadas. O principal são os ambientes não adaptados em empresas, em escolas. Acredito que essa é a barreira mais evidente para todos”, destaca Robson.



Para combater essas atitudes, o cidadão possui mecanismos legais. Rebecka Barbosa lembra que a lei brasileira de inclusão (estatuto da pessoa com deficiência) pune qualquer tipo de discriminação, desde que a vítima comprove a infração por meio de um procedimento jurídico.

*Com informações da TV Câmara de São José dos Campos.

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