Tudo começou em 1958, quando foi implantada a primeira linha de ferryboat, que ligava São Sebastião a Ilhabela; conheça a linha do tempo desta história
Redação
Publicado em 20/08/2025, às 13h30
Uma distância de 2.400 metros pode ser algo simples de ser percorrido em terra firme. Mas, no mar, separando uma ilha do continente, se torna um desafio a ser vencido. É o que ocorre entre as cidades de São Sebastião e Ilhabela, no litoral norte de São Paulo.
Nos dias atuais, a conhecida balsa de Ilhabela, que liga a cidade-arquipélago ao continente, e vice-versa, faz parte da rotina de moradores e turistas. Mas essa história começou em 1958, quando foi implantada a primeira linha de ferryboat, que ligava as duas cidades. Com estrutura de madeira, a balsa (construída no mesmo ano, no município de Guarujá) tinha capacidade para transportar oito carros e fazia a travessia a cada duas horas.
Em São Sebastião, as instalações da travessia ficavam na bacia do porto. Localizada a 2.400 metros do continente, a Barra Velha, em Ilhabela, era o local mais próximo do continente e tinha como referência o farol São João, que demarcava o alinhamento do canal do porto de São Sebastião.
No ano seguinte, 1959, foi construída a balsa Ilhabela FB-02, projetada para operar no canal de São Sebastião. Com altura superior a 1,40 metro de borda livre, a embarcação possuía comportas que impediam que os veículos fossem molhados. Com dois motores, tinha capacidade para transportar 18 veículos e fazia o percurso em 15 minutos.
O ferryboat permitiu o escoamento e o transporte de bananas e outros cultivos de Ilhabela, que passaram a ser transportados por caminhões, diretamente para o Ceasa, em São Paulo, facilitando a agricultura local.
Em 1964, duas balsas começaram a operar de hora em hora: uma, durante a semana, e outra, às sextas-feiras à noite, sábados e domingos. Para atender o movimento, as duas embarcações faziam o famoso“bate-volta”.
Com o aumento do fluxo de caminhões, flutuantes de aço foram instalados nas duas travessias, no ano de 1965, tornando possível a atracação de embarcações vindas do litoral sul, o que melhorou o atendimento. O sistema funcionou até 1975, quando o conjunto de atracadouro foi transferido para o local que se encontra até hoje, para atender o desenvolvimento do porto de São Sebastião.
Em 1976, foram feitas melhorias no atracadouro da Barra Velha, em Ilhabela, como a contenção da ponte e aterro. Naquele ano, a lancha Guarujá também passou a operar no canal de São Sebastião. Em 1977, com quatro embarcações de pequeno porte, 2.486 veículos foram transportados no sentido São Sebastião-Ilhabela, estabelecendo um novo recorde.
Nos anos seguintes (1978 e 1979), foi construída uma estação em São Sebastião, para a criação de uma linha de passageiros entre o continente e Ilhabela. A travessia também adquiriu uma balsa para 40 veículos de atracação frontal e, logo depois, foi adquirida uma embarcação de grande porte de carga. Com sistema de rampa, dispensava flutuantes de embarcação e operava em São Sebastião das 7h às 19h, transportando somente caminhões.
Em 1989, todos os serviços de transportes de veículos e passageiros foram cedidos em concessão para a Dersa, que contratou diversos engenheiros navais para projetar melhorias nas embarcações. A partir daí, começaram as reformas de jumborização (sistema que possibilita a ampliação) dos ferryboats, o que gerou considerável aumento nas demandas.
Em 2020, em função do processo de liquidação da Dersa, as travessias litorâneas do estado de São Paulo passam a ser atribuição do Departamento Hidroviário – DH, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística – Semil, e subordinado à Subsecretaria de Logística e Transportes.
Em 2025, com a reestruturação organizacional da Semil, o DH foi incorporado à estrutura da Subsecretaria de Logística e Transportes, e a gestão do sistema passou a ser responsabilidade da Coordenadoria de Travessias.
Com informações de Semil
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