Transição confirmada pela Artesp prevê renovação da frota com 41 embarcações elétricas, gratuidade para pedestres entre Santos e Guarujá
Patrícia Oliveira
Publicado em 10/10/2026, às 15h26
O sistema de transporte hidroviário do estado de São Paulo passa por mudança de gestão a partir de 9 de novembro. A concessionária AcquaVias SP Travessias SPE assume oficialmente a operação, administração e manutenção de 14 linhas de balsas e barcas litorâneas e metropolitanas.
A data do início da concessão foi homologada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) em publicação no Diário Oficial.
Até 8 de novembro, a gestão do serviço permanece sob a responsabilidade direta da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). O contrato de concessão privada tem validade de 20 anos e estabelece R$2,5 bilhões em investimentos estruturais ao longo do período contratual.
A Baixada Santista concentra as linhas de maior fluxo do sistema estadual, abrangendo as travessias Santos–Guarujá; Santos–Vicente de Carvalho; e Bertioga–Guarujá.
Como primeira medida sanitária e de segurança operacional, a nova concessionária fará a retirada imediata de circulação das embarcações FB-26 e FB-28, em virtude das atuais condições de conservação.
O plano de investimentos prevê a aquisição de 45 novas embarcações, das quais 41 contam com propulsão 100% elétrica. As primeiras barcas e balsas novas entram em operação a partir do terceiro ano de contrato, com a meta de promover a substituição integral da frota até o sétimo ano.
A eletrificação dos motores reduzirá anualmente a emissão de 18 mil toneladas de gás carbônico na atmosfera. Uma das principais novidades para os usuários diários da região envolve a gratuidade da tarifa para pedestres na travessia entre Santos e Guarujá, estendendo o benefício já concedido aos ciclistas.
Com exceção das barcas do sistema Santos–Vicente de Carvalho, onde a cobrança da passagem continuará ativa.
Os três primeiros meses de concessão funcionam sob o formato de operação assistida, com supervisão técnica conjunta da Semil e da Artesp. Após o período de transição, o governo do estado mantém a fiscalização contínua sobre a prestação do serviço público.
A modernização inclui a ampliação dos meios de pagamento. O sistema, que atualmente aceita apenas cédulas em dinheiro, passará a receber pagamentos digitais via Pix, cartões de débito e crédito, além do uso de tags automáticas.
O projeto contempla a reforma e ampliação de 20 terminais de passageiros com adequação total de acessibilidade, construção de três centros de controle operacional, implantação de mais de dez cabines automáticas de cobrança e estruturação de oficinas especializadas de manutenção.
Além da Baixada Santista, o contrato cobre as travessias do litoral norte (São Sebastião–Ilhabela); litoral sul (Cananeia e Iguape); Região Metropolitana de São Paulo (represas do Bororé e Taquacetuba) e o reservatório de Paraibuna.