LUTO

Por que sentimos a morte de alguém que não conhecemos pessoalmente, como a rainha Elizabeth?

Neurocientista explica a razão de nutrirmos sentimentos assim


Da redação
Publicado em 09/09/2022, às 10h29 - Atualizado às 12h05

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Rainha Elizabeth II durante as comemorações do Jubileu de Platina Por que sentimos a morte de alguém que não conhecemos pessoalmente, como a Rainha Elizabeth? - Divulgação
Rainha Elizabeth II durante as comemorações do Jubileu de Platina Por que sentimos a morte de alguém que não conhecemos pessoalmente, como a Rainha Elizabeth? - Divulgação


A morte da Rainha Elizabeth II, na quinta-feira (8), deixou o mundo em luto. Aos 96 anos de idade e 70 de reinado, a rainha era um dos rostos mais conhecidos do planeta e uma constante não só na vida dos britânicos, mas de muitos de nós.

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Mas, apesar dessa constância, ela era uma figura distante, que a imensa maioria nunca viu pessoalmente. Então, por que essa impressão de que ela era alguém próximo, com quem se tinha contato e até uma relação de afeto?



O Pós PhD em Neurociências, Fabiano de Abreu Agrela, explica que os seres humanos formatam engramas - que são memórias do que pensamos, vemos e sentimos - de forma mais íntima: “Quando uma pessoa é famosa, formamos esses dados, com base na repetição, consolidando e reforçando esses engramas de maneira mais convicta”.

Ainda segundo Fabiano, quando a pessoa é famosa e admirável para si, essas marcas mentais são formatadas com a influência de bons sentimentos, o que está vinculado a uma boa lembrança.  

“Quando ela morre, sentimos como se a conhecêssemos pessoalmente, pois reforçamos essas memórias sobre ela com influência positiva. E de certa forma a conhecemos, do jeito que a moldamos, às vezes sem defeitos, como algo intacto de quase perfeição”, finalizou.



Segundo o estudioso, quando vemos uma pessoa fisicamente, ela fica armazenada na memória com intensidade diferente de quem vemos apenas pelas telas. Mas o reforço e o sentimento depositado moldam a memória de maneira diferente, e o impacto do luto pode ser similar a depender da importância que deu àquela pessoa.

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“O que distingue é a racionalidade sobre ter contato físico ou não, mas o sentimento varia pelas circunstâncias sobre a pessoa e sobre a própria personalidade de quem sente, em relação ao quão emotiva é pelas próprias variáveis individuais”, finalizou.



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