Parque da Usina tem atrações culturais, cachoeiras e visual estonteante


Costa Norte
Publicado em 12/02/2016, às 08h15 - Atualizado em 24/08/2020, às 02h01

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Por Marina Veltman

Distante apenas três quilômetros da chegada da balsa, o Parque da Usina Prefeito Geraldo Junqueira,  antigo Parque Municipal das Cachoeiras,  em Ilhabela,  é garantia de diversão para toda a família e sem nenhum custo, já que o acesso a todas as atrações é gratuito. Composto pelo Museu Náutico,  Viveiro Municipal e pela Cachoeira da Água Branca,  o local dispõe ainda de poços,  diversas cachoeiras menores e um 'escorrega' natural.  Imperdível.

Já no caminho, você consegue avistar a Cachoeira da Água Branca: duas quedas paralelas, imponentes, uma com 62m e outra com 58m, atraem o olhar ao longo da estrada de acesso. Nos períodos de cheia, a Água Branca consegue ser avistada da balsa, tamanha sua majestade. Também conhecida como Cachoeira da Usina, a queda d’água era a responsável, na década de 1960, pela geração da energia elétrica na ilha,  por meio de uma pequena usina hidrelétrica, inaugurada em 1958 pelo então Departamento de Águas e Energia Elétrica.



Na década de 1970, o local recebeu motores a diesel,  substituídos uma década depois por cabos submarinos, e sendo completamente desativado em 1993.  A então usina deu lugar ao atual Museu Náutico, e inspirou o nome do parque. Com piso altamente escorregadio, a Água Branca não é aberta para banho, mas não se preocupe: o que não faltam no parque são cachoeiras liberadas para mergulho, de forma segura.

Museu Náutico 

Inaugurado em dezembro de 2014, o Museu Náutico ocupa o prédio da antiga usina. O local recebeu um grande acervo de peças que contam a história dos naufrágios ilhéus e uma rica mostra arqueológica. Construído aos pés da cachoeira, o visual do museu deixa qualquer um sem palavras. A imponência da água, que cai a menos de 50 metros da construção, é um atrativo à parte. Dentro do museu,  uma grande parede de vidro permite que o visitante admire a cachoeira de dentro das instalações,  o que permite que a beleza natural compita com os atrativos culturais - que não são poucos.



Ilhabela concentra um dos maiores números de naufrágios do Brasil e o colecionador Jeanis Platon, que mergulha há 40 anos, reuniu um rico patrimônio formado pelo acervo que conta a história do fundo do mar - não só ao redor da ilha, mas também na região. São mais de 250 peças, algumas datadas do século XVIII, outras obtidas pessoalmente no fundo do oceano e outras ainda com antigos caiçaras que chegaram a presenciar os naufrágios.

Âncoras, balas e canhões, armas, cerâmicas, porcelanas, malas de viagens...  O museu reúne itens de 23 naufrágios e réplicas de alguns dos navios, como é o caso do espanhol Velasquez.  De fabricação inglesa,  do início do século XIX,  o navio cargueiro afundou em outubro de 1908, na região ilhabelense chamada Ponta da Sela, e até hoje o seu mastro é visível nas marés baixas. A peça mais antiga exposta é uma âncora  pertencente a um navio pirata,  naufragado em 1721.

Além de itens da cultura europeia,  resgatados dos navios, os visitantes conferem também a mostra Vestígio e Tradições, do IHGAI (Instituto Histórico, Geográfico e Arqueológico de Ilhabela), montada por uma equipe especializada em arqueologia. São apetrechos artesanais caiçaras do cotidiano, utilizados até hoje nas comunidades tradicionais, assim como peças do período colonial, da ocupação indígena e até do período dos sambaquis, formados pelos povos pré-indígenas que ocupavam a região – um dos quais revela um esqueleto de mais de dois mil anos encontrado em Furnas, ao norte do arquipélago.



Guilherme de Paula, estagiário da Secretaria de Cultura do município e guia do museu, explica: “Através dos itens, temos a história do desenvolvimento de Ilhabela, desde a época mais remota até hoje. Dá para entender a nossa cultura e tradição”. O Museu Náutico é um dos passeios mais disputados pelos turistas que aportam de navios de cruzeiro, então a dica é evitar os dias de desembarque, quando o local fica muito concorrido.

O Parque da Usina fica na rua José Bonifácio, 843 – Ilhabela – SP. O acesso ao museu, viveiro e cachoeiras é gratuito.

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