DESCOBRINDO O LITORAL

Documentário revela uma São Sebastião íntima por meio de olhares e 'causos' de moradores

Sexto episódio do Descobrindo o Litoral: Revelando o Paraíso Paulistana destaca cultura caiçara, patrimônio histórico e turismo na TV Cultura Litoral

Documentário revela São Sebastião íntima por meio do olhar e 'causo' de moradores
Produção propõe imersão na cultura caiçara, na história, na ciência e nas tradições da cidade - Reprodução /TV Cultura Litoral


São Sebastião, litoral norte de São Paulo, é retratada sob uma perspectiva pouco conhecida, no sexto episódio da série documentalDescobrindo o Litoral: Revelando o Paraíso Paulista, que estreia na quinta-feira (30), na TV Cultura Litoral.

Mais do que apresentar praias e paisagens naturais, a produção propõe uma imersão na cultura caiçara, na história, na ciência e nas tradições, que fazem do município um dos destinos mais emblemáticos do estado.

Ao longo do episódio, moradores, pesquisadores,  gestores públicos e representantes da cultura local mostram que São Sebastião preserva um patrimônio que vai muito além de seus mais de 100 quilômetros de praia. As entrevistas revelam como o município equilibra desenvolvimento turístico, preservação ambiental e valorização da memória de seu povo.



Histórias de quem construiu São Sebastião

Entre os momentos mais marcantes está o depoimento da caiçara Neide Palumbo, considerada um dos grandes patrimônios vivos da cidade. Com humor e espontaneidade, a historiadora compartilha um "causo" que atravessa gerações e retrata costumes da vida caiçara de décadas atrás.

Na narrativa, Neide recorda o casamento arranjado pela mãe, a dedicação ao trabalho de costureira, a economia para conquistar a casa própria e a inesperada fuga do marido com uma prima, que ela própria havia acolhido. Anos depois, ele retornou arrependido, transformado pela vida; ela encerra a história com uma mistura de emoção, humor e sabedoria popular.

Além do relato pessoal, Neide resgata lembranças de uma época em que as praias eram praticamente desertas, o mar servia principalmente como fonte de sustento por meio da pesca artesanal e as grandes festas religiosas que reuniam moradores de toda a região.



Os adultos usavam o mar como subsistência. Era pescaria direta. Todo mundo vivia bem por causa da fartura de peixe e da quantidade de roça", relembra.

Turismo impulsionado pela natureza e pela cultura

O secretário de Turismo de São Sebastião, Leandro Pereira, também participa do documentário, e destaca que as belezas naturais seguem como principal cartão-postal do município, mas ressalta que o destino ampliou sua vocação turística.

Segundo ele, além das mais de 50 praias, ilhas, cachoeiras e da Mata Atlântica preservada, São Sebastião investe cada vez mais no turismo gastronômico, histórico e na observação de baleias e golfinhos, atividades que ajudam a reduzir os efeitos da sazonalidade e movimentam a economia durante todo o ano.

"O turismo de praia e sol acaba sendo o principal turismo do município. Mas, hoje, a gente tem muito forte a questão do nosso turismo gastronômico. Temos também o turismo de observação de cetáceos e baleias, que movimenta muito a nossa baixa temporada e faz com que a gente tenha a quebra de sazonalidade", explica.

O documentário evidencia a importância do centro histórico, dos casarões coloniais dos séculos XVII e XVIII, e do patrimônio arquitetônico como parte fundamental da experiência oferecida aos visitantes.



Ciência ajuda a preservar o litoral

A produção apresenta o trabalho desenvolvido pelo Centro de Biologia Marinha da USP (Cebimar), instalado em São Sebastião há mais de quatro décadas. O biólogo Claudio Gonçalves explica que a instituição mantém projetos voltados à pesquisa, educação ambiental e formação de professores da rede pública, além de colaborar diretamente com o município em temas relacionados ao planejamento urbano, preservação dos ecossistemas costeiros e conscientização ambiental.

Outro destaque é o espaço de visitação do centro de pesquisas, no qual moradores e turistas têm contato com espécies marinhas e conhecem a importância da biodiversidade do litoral paulista. "Isso é muito importante, porque se as pessoas não conseguem conhecer o ambiente marinho, elas não vão nem saber o que é", diz. 

Cultura caiçara permanece viva

O episódio dedica espaço especial às manifestações culturais que preservam a identidade sebastianense. A diretora da Fundação Educacional e Cultural Deodato Sant'Anna (Fundass), Suelen Julio, destaca o trabalho desenvolvido pelas oficinas culturais, que atendem milhares de alunos, além da manutenção dos corpos estáveis de teatro, dança, coral e banda municipal.



Já a mestre paneleira Cida Ivanov aborda a importância da tradicional cerâmica de acordelamento, técnica transmitida por Adélia Barsotti e considerada uma das expressões culturais mais representativas da cidade.

Espaços culturais fortalecem a comunidade

Representantes do coletivo Escambou, localizado em Boiçucanga, também participam do documentário ao mostrar como iniciativas culturais independentes ajudam a fortalecer os vínculos comunitários, promovem encontros entre diferentes gerações e ampliam o acesso à arte para moradores da costa sul.

Juliana Sada e Leia Prado defendem que o fortalecimento da cultura depende tanto de políticas públicas quanto da participação ativa da comunidade.



Preservar para garantir o futuro

Como mensagem central, o sexto episódio reforça que preservar o patrimônio natural e cultural é essencial para o futuro de São Sebastião. Os entrevistados convergem ao afirmar que turismo, ciência, cultura e meio ambiente caminham juntos e que manter vivas as tradições caiçaras representa uma forma de proteger não apenas a memória da cidade, mas também seu desenvolvimento sustentável.

A produção mostra, ao encerrar o episódio, que conhecer São Sebastião significa compreender um território onde histórias, natureza e identidade continuam lado a lado, muito além dos cartões-postais que tornaram o município conhecido nacionalmente.

Sobre o projeto

O projeto cultural e documental Descobrindo o Litoral: Revelando a Identidade do Litoral Paulista percorre a Baixada Santista e o litoral norte para valorizar as riquezas naturais, históricas e culturais da região. A obra é uma iniciativa da Associação Comunitária Centro de Tradições Nordestinas (ACCTN), com apoio do governo do estado de São Paulo (Cult SP).



A série conta com nove episódios, de aproximadamente 30 minutos cada. Na TV aberta, a exibição ocorre pela TV Cultura Litoral (TVCL), de terça a quinta-feira, sempre das 22h30 às 23 horas.

Os três primeiros capítulos já foram ao ar e destacaram São Vicente, Santos e Guarujá, apresentando a história, a cultura, o patrimônio e as características que tornam cada município único no litoral paulista.

Confira o cronograma de exibição dos episódios:



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