Criada no início dos anos 1980, empresa cresceu com produção artesanal, novos sabores e forte ligação com famílias vicentinas

Quando chega a primavera, o sorvete ganha ainda mais espaço entre as opções para refrescar os dias de calor. E uma tradicional marca de sorvetes nasceu na Baixada Santista, mais precisamente em São Vicente, e construiu uma trajetória de 46 anos na região.
Nesta quarta-feira (23), Dia Nacional do Sorvete, uma história que começou de maneira artesanal, com sorvetes vendidos por carrinhos nas praias, cresceu ao longo das décadas e passou a fazer parte da rotina de famílias de diferentes gerações. E o nome da marca também tem uma história curiosa.
Antes de a Kascão ter o nome que hoje é conhecido pelo público, a trajetória começou com Alcides Antonelli e um negócio chamado Sorvetes Princesa, adquirido dos primos, na região da Biquinha, em São Vicente.
Na época, os sorvetes eram preparados e vendidos por 14 carrinhos de ambulantes nas praias. Alcides contava com o apoio da mulher Josefina, de um funcionário e dos três filhos, ainda eram crianças. A pequena produção, porém, começou a crescer.
Em quatro anos, o número de carrinhos chegou a 60, levando sorvetes para praias e ruas de Santos, São Vicente, Cubatão e Praia Grande. Mas, uma viagem acabaria ajudando a mudar a história da empresa.
Josefina esteve no Rio de Janeiro e viu uma casquinha de sorvete grande, capaz de receber até cinco bolas. A ideia chamou a atenção da família e inspirou Alcides a desenvolver uma versão própria.
Ele criou uma casquinha mais grossa e resistente, pensada para acomodar mais sorvete. O produto ganhou o nome de cascão e caiu no gosto do público. Foi justamente essa novidade que ajudou a dar identidade à empresa.
No início da década de 1990, a empresa passou a produzir a casca com exclusividade. A procura aumentou e o produto se tornou uma das marcas da companhia. Naturalmente, o cascão acabou dando origem ao novo nome da empresa: Kascão, com K.
A primeira máquina utilizada para a produção das casquinhas fazia cerca de 120 cascões por dia. Com o crescimento da procura, novas máquinas foram adquiridas e a produção chegou a envolver 40 pessoas de forma terceirizada.
A empresa também passou a distribuir as máquinas utilizadas na fabricação das cascas. A partir daí, a história da Kascão começou a ganhar novos capítulos.
Com o crescimento da empresa, os sorvetes de massa ganharam novas receitas e começaram a ser distribuídos em pontos de venda acompanhados pelos freezers da marca. No final dos anos 1990, a empresa passou a produzir potes de dois litros, destinados a supermercados, padarias, mercearias e outros estabelecimentos.
Depois vieram outras tendências. Ao longo dos anos, a Kascão passou pelo self-service, icegurt, copão e paletas, além de outros formatos e produtos. Mesmo com tantas novidades, alguns sabores continuaram entre os preferidos dos consumidores, como o picolé de coco branco e os sorvetes de frutas, entre eles limão e uva.
A marca também acompanhou mudanças nos hábitos de consumo. O sorvete, antes muito associado aos fins de semana e aos dias quentes de verão, passou a constar com mais frequência da rotina como sobremesa e opção de consumo durante todo o ano.
É aqui que a história da Kascão ganha outro elemento: as memórias dos consumidores. Segundo Alcides, a empresa costuma ouvir relatos de pessoas que frequentam a marca há décadas e que, depois, passaram a levar os próprios filhos e netos.
Uma dessas histórias é resumida na frase:
Meu avô me trazia aqui para tomar picolé depois da escola, e hoje sou eu quem trago os meus filhos e netos”.
Para o empresário, encontrar três gerações de uma mesma família no balcão representa a continuidade do vínculo construído com os consumidores.
“É um orgulho inexplicável e um sentimento profundo de gratidão. Ver a Kascão fazer parte da identidade da Primeira Cidade do Brasil é saber que o nosso esforço gerou frutos que vão além dos negócios; criamos raízes, geramos empregos locais e construímos laços de confiança com várias gerações de vicentinos”, conta Alcides.
Em 2003, a Kascão inaugurou uma nova indústria no bairro Catiapoã, em São Vicente. A empresa também ampliou sua presença para outras regiões. Em material publicado em 2025, a marca informou contar com 100 lojas franqueadas e mais de 6 mil pontos de venda, além de presença na Baixada Santista e em outras regiões do estado de São Paulo.
A empresa também chegou à terceira geração da família. No ano passado, a Kascão recebeu o prêmio Top of Mind A Tribuna 2025, na categoria sorvetes. O reconhecimento foi apresentado como resultado de uma trajetória construída ao longo de décadas.
Para Alcides, preservar essa história também significa manter uma parte da identidade da cidade.
É valorizar a nossa própria história e a nossa economia local. Manter uma indústria/comércio tradicional viva em São Vicente reforça o senso de comunidade e mostra a força empreendedora da cidade”, afirma.
A data escolhida para celebrar o sorvete no Brasil também tem relação com a estação do ano. O Dia Nacional do Sorvete é comemorado em 23 de setembro, data criada em 2002 pela Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (Abis).
A escolha está ligada à chegada da primavera e tem como objetivo divulgar o consumo do sorvete, destacar seus valores nutricionais e celebrar o início do período de temperaturas mais altas.
É também uma data aproveitada por sorveterias, gelaterias e marcas para ações especiais, promoções e sabores diferentes. A comemoração também pode movimentar sorveterias, gelaterias e marcas, que costumam aproveitar a ocasião para promover ações especiais, descontos e novos sabores.
Mas, para quem vive na Baixada Santista, o 23 de setembro pode trazer uma curiosidade a mais: uma marca que começou com carrinhos e produção artesanal em São Vicente se transformou em uma empresa que atravessou gerações.
Em 2026, são 46 anos de história. E, para Alcides, talvez seja justamente essa relação com as pessoas que explique por que o sorvete continua ocupando um espaço especial na memória de quem cresceu na Cidade.
O sorvete tem a magia de pausar a correria do dia a dia e nos trazer um sorriso instantâneo”, afirma.