Coleção DDD013 de Ana Lima usa monumentos como a ponte Pênsil e o mirante Niemeyer para estampar peças e valorizar a Baixada Santista

A moda vai além das roupas e reflete a identidade e a forma como uma sociedade se expressa. No Brasil, quinto maior mercado têxtil do mundo, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o setor movimenta R$220 bilhões por ano e gera 1,34 milhão de empregos diretos em mais de 25 mil empresas.
Nesse cenário, a designer de moda Ana Lima, moradora do bairro Catiapoã, em São Vicente, transmitiu o sentimento de pertencimento regional à coleção DDD013.
A coleção nasceu como o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Ana Lima em design de moda. A proposta buscou retratar a Baixada Santista sem recorrer a estereótipos litorâneos comuns, como conchas e coqueiros. A estilista utilizou monumentos marcantes para estruturar as formas das roupas.
A autora explicou a escolha do conceito visual:
A coleção DDD013 foi feita para o meu trabalho de conclusão de curso em design de moda. Eu quis retratar uma moda praia que representasse a Baixada Santista, mas que não fosse uma moda praia estereotipada, com elementos litorâneos como conchas, coqueiros e essas coisas”.
Segue a lista com as principais referências arquitetônicas regionais que basearam a confecção das peças:
O desenvolvimento do projeto uniu a identidade urbana às formas orgânicas da praia por meio de uma pesquisa de campo com moradoras locais. Além disso, Ana Lima efetuou observações diretas nas praias para analisar as cores, silhuetas e estilos mais utilizados.
As saídas de praia, como calças, saias e vestidos, ganharam versatilidade para o uso fora da faixa de areia, adaptadas ao forte polo econômico e comercial da região. A sustentabilidade e a economia criativa também nortearam o trabalho da designer, que priorizou a mão de obra vicentina.
A confecção das roupas ficou sob a responsabilidade da costureira Kessia, do ateliê Águapé Beachwear, sediado em São Vicente. Para o ensaio fotográfico, a produção contou com modelos de biótipos diferentes para garantir a representatividade, inspirando-se em referências como a marca Rush Praia, de Olinda (PE).
Ana Lima explicou que a sustentabilidade envolve fatores éticos e sociais:
Na minha monografia, eu falo sobre economia criativa e sobre sustentabilidade. E, quando a gente fala em sustentabilidade, não se pode pensar só em descarte correto de tecidos ou consumo consciente. Também precisamos falar sobre diversidade de corpos, ética, cultura e valorização da mão de obra local”.
A produção das fotos ocorreu no Canto da Ilha, local estratégico da adolescência da designer, que permitiu registrar a ponte Pênsil, o mirante e o emissário ao fundo. A estilista, que estudou na capital paulista durante três anos e meio, manteve a decisão de descer a serra diariamente para preservar suas raízes com o município de São Vicente.
A estilista ressaltou o orgulho pela sua cidade natal:
A principal impressão que eu queria passar é que existe beleza em São Vicente. Às vezes, a cidade é muito mal retratada e as pessoas acabam não enxergando isso. Mas tem, sim. Basta olhar com mais atenção para perceber quantos elementos daqui podem ser transformados em algo bonito”.
Após a conclusão da graduação, o objetivo de Ana Lima foca na transição do projeto acadêmico para o mercado comercial, com a criação de uma marca própria de moda praia voltada à identidade cultural da Baixada Santista.