ESCULTURAS À BEIRA-MAR

Praia do Peres: a história da fundição de bronze escondida na Mata Atlântica de Ubatuba

Segunda parada da Trilha das Sete Praias, antigo vilarejo de pescadores já abrigou uma fundição de esculturas de bronze que ganhou o mundo

Praia do Peres, com faixa de areia, mar calmo, vegetação de Mata Atlântica, costão rochoso e uma pequena embarcação
Pequena faixa de areia da praia do Peres é cercada por pedras, vegetação e águas tranquilas - Divulgação/Prefeitura de Ubatuba


Quem percorre a trilha das Sete Praias, no litoral sul de Ubatuba, encontra na praia do Peres um cenário marcado por areia acinzentada, pedras, vegetação e águas tranquilas. Mas a paisagem atual esconde uma história que pode surpreender quem passa pelo local.

A pequena praia foi uma antiga vila caiçara de pescadores e, entre 1985 e 1990, também recebeu uma fundição de esculturas de bronze. Em meio à Mata Atlântica, foram produzidas obras que posteriormente seguiram para galerias e outros espaços no Brasil e no exterior.

Antes de chegar a essa história, porém, é preciso percorrer a trilha.

A segunda parada da trilha das Sete Praias

A praia do Peres é a segunda praia da trilha das Sete Praias, para quem parte da praia da Lagoinha em direção à praia da Fortaleza.

O caminho passa primeiro pela praia do Oeste. A trilha acompanha o mangue que desemboca no mar e atravessa uma área de Mata Atlântica, onde podem ser observadas bromélias, árvores centenárias, pássaros e animais silvestres.

O percurso é considerado de fácil acesso.



A distância e o tempo informados pelas fontes fornecidas variam: o acesso geral é descrito como uma caminhada de aproximadamente 25 minutos a partir da praia da Lagoinha, enquanto a descrição específica da trilha aponta cerca de 12 minutos, passando pela praia do Oeste.

Ao chegar, o cenário muda.

Areia acinzentada, pedras e mar tranquilo

A praia do Peres possui uma faixa de areia curta, de areia monazítica batida, com muitas pedras espalhadas pela orla.



O mar é tranquilo e o local é especialmente utilizado para acesso náutico, além de ser ponto de partida para barcos de pesca dos caiçaras que vivem nas proximidades.

A paisagem mantém o entorno arborizado e a presença da comunidade tradicional ajuda a preservar uma relação antiga entre os moradores e o mar.

No local existe ainda um quiosque-bar rústico, que costuma funcionar durante a temporada de verão, oferecendo batidas e petiscos.



A praia também é apontada como um lugar com uma bela vista para o pôr do sol.

De onde veio o nome Peres?

O nome da praia está ligado a uma antiga moradora da região.

Segundo as informações fornecidas, a denominação é uma homenagem a dona Mariquinha do Peres, proprietária de um engenho de pinga.



A bebida era transportada em canoas de voga para ser comercializada no Porto de Santos.

A história ajuda a revelar uma época em que o deslocamento pelo litoral dependia muito mais das embarcações e da relação dos moradores com o mar.

Mas essa não é a única história curiosa ligada ao lugar.



Quando a praia virou endereço de esculturas de bronze

Entre 1985 e 1990, a praia do Peres abrigou uma fundição de esculturas de bronze do artista Alberto Frioli.

O espaço ficava incrustado nas montanhas, à beira-mar e em meio à vegetação e à fauna da região.

Ali eram produzidas esculturas de animais em tamanho natural e também obras abstratas. Algumas eram tão grandes que precisavam de seis a dez homens para serem erguidas.



Uma delas foi um cavalo de bronze que, segundo o material fornecido, atualmente enfeita um aeroporto no Canadá.

O que torna essa história ainda mais curiosa é a forma como as obras eram transportadas.

Pescadores também ajudaram a levar as obras

Na época, o local tinha acesso difícil, sem estrada e sem luz, características que representavam um desafio para a instalação da fundição.



Ao mesmo tempo, o isolamento e o contato intenso com a natureza foram considerados favoráveis à inspiração artística.

A produção das esculturas também acabou criando uma nova possibilidade profissional para moradores da região.

Alguns pescadores aprenderam técnicas de fundição de bronze e passaram a atuar como artesãos.



Eles também participaram do transporte dos lingotes e de outros materiais utilizados na produção, utilizando suas próprias canoas de madeira.

Assim, durante alguns anos, uma antiga vila de pescadores passou a fazer parte do caminho de grandes esculturas de bronze.

Um atelier no meio da Mata Atlântica

O atelier instalado na praia do Peres combinava tradições artesanais com técnicas sofisticadas de fundição.



O trabalho de Frioli envolvia pesquisas e métodos desenvolvidos no exterior, adaptados aos materiais refratários brasileiros.

Algumas esculturas também incorporavam pedras brasileiras, utilizadas nos detalhes das peças e lapidadas como em processos de criação de joias. Entre os trabalhos associados ao artista está o Projeto Harmonizador Planetário.

Também há uma obra de Frioli na capela São Sebastião, na praia Grande do Bonete, conforme o material fornecido.



Quem foi Alberto Frioli?

Alberto Frioli nasceu em Rimini, na Itália, em 1943, e passou parte da vida em Veneza antes de se mudar para o Brasil.

Retornou ao país em 1972 e estabeleceu-se definitivamente em São Paulo, onde se naturalizou brasileiro. Anos depois, construiu um atelier em Ubatuba, onde produziu grande parte de suas obras.

Sua trajetória artística passou por pintura, escultura, poesia e arquitetura, reunindo essas diferentes formas de expressão em seus trabalhos.



A trilha continua

Para quem chega à praia do Peres pela trilha das Sete Praias, a caminhada ainda está longe de terminar. No canto esquerdo da praia, começa uma trilha que leva à praia do Bonete.

O percurso maior segue por diferentes trechos do litoral até chegar à praia da Fortaleza, revelando outras praias ao longo do caminho.

A praia do Peres, portanto, pode ser uma parada para descansar, observar o mar e conhecer a paisagem, mas também funciona como um ponto onde diferentes momentos da história de Ubatuba se encontram.



Como chegar à praia do Peres

O acesso é feito pela trilha das Sete Praias, a partir do canto esquerdo da praia da Lagoinha.

O percurso passa pela praia do Oeste antes de chegar à praia do Peres. A caminhada é considerada de fácil acesso.

Uma praia pequena que esconde uma história enorme

A praia do Peres pode parecer apenas uma pequena faixa de areia no caminho entre uma praia e outra. Mas, olhando mais de perto, ela revela muito mais.



Foi vila de pescadores, ponto de partida de barcos caiçaras e, por alguns anos, cenário para a produção de grandes esculturas de bronze.

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