Do alto da ilha Porchat ou do morro do Voturuá, as imagens da primeira cidade do Brasil, São Vicente, no litoral de São Paulo, são imperdíveis

História não é problema por aqui. Afinal, São Vicente, na Região Metropolitana da Baixada Santista, litoral de SP, é conhecida por ser a primeira cidade do Brasil. Mas nem só de passado vive o mais velho dos municípios, com 493 anos. A cidade também é privilegiada por suas belas paisagens naturais, como a praia do Itararé. São 2.400 metros de extensão entre as ilhas Porchat e Urubuqueçaba. Agora, imagine toda esta beleza vista do alto. O que, de baixo, poderia ser apenas mais uma praia, de cima pode se transformar em um cartão postal.
Para explorar a paisagem nem é preciso um voo panorâmico. Basta subir até a ilha Porchat ou ao morro do Voturuá. Nas duas opções, o acesso é simples, e o caminho é, na verdade, um passeio bastante agradável. De qualquer um dos morros, é possível registrar belas imagens.

Para subir o morro do Voturuá, há a opção do agradável passeio de teleférico. São 11 minutos para percorrer 700 metros de distância. Com as pernas penduradas e sentados em cadeiras duplas, o medo – inevitável para algumas pessoas - se mistura ao delicioso toque do vento no corpo. A sensação é indescritível.
Mais indescritível ainda é a beleza da visão. De um lado, toda a praia do Itararé. Do outro, a orla da praia da cidade vizinha: Santos. Quilômetros de mar, areia e jardins. Conforme o teleférico sobe, o medo se transforma em encanto. A pior parte é passar sobre a movimentada avenida, com tráfego intenso. Depois disso, é quase possível tocar na vegetação que cobre o Voturuá.
170 metros de desnível, e a chegada é perfeita. Por lá, por causa da pista de voo livre, o movimento de decolagens e pousos é constante. Graças aos praticantes de asa delta e paraglider, em dias de muito Sol, o azul do céu fica ainda mais bonito. A ele se somam o vermelho, branco, amarelo, verde, preto, e tantas outras cores que dão vida aos equipamentos dos homens, que, assim como Ícaro, experimentam a sensação de ter asas. Para os mais aventureiros – ou seria melhor dizer, os mais corajosos? – é possível descobrir a liberdade de voar sobre a praia.
Os saltos duplos de paraglider (com a presença de um instrutor) custam R$ 400 (10 minutos) e R$ 500 (20 minutos); fotos e vídeos não inclusos. A cadeira do passageiro é fixada junto a do instrutor. Os voos duram entre 15 e 20 minutos, e a principal diferença entre o pára-quedas e o paraglider é que, enquanto o primeiro só desce, o segundo sobe o mais alto possível.
O acesso ao teleférico é pela avenida Ayrton Senna da Silva, 500. Funciona das 10h às 16h (de segunda a sexta-feira) e das 10h às 16h (nos finais de semana e temporada), o passeio custa R$ 60. Maiores de 60 anos e jovens de 6 a 14 anos pagam R$ 30, crianças com até 6 anos não pagam.
Do outro lado, entre as praias do Itararé e dos Milionários (a mais tranquila da cidade, com 200 metros de extensão), um charmoso recanto: a ilha Porchat. Conhecida por abrigar bares e boates badalados, principalmente pelo público jovem, o local é “dono” de uma das mais belas paisagens da Baixada Santista. Do alto, é possível ver toda a orla da praia, tanto no sentido Santos, quanto a baía de São Vicente.
Como se não bastasse a grandiosidade da natureza, a genialidade de um homem – Oscar Niemeyer -, ajudou a ressaltar ainda mais tanta beleza. Com a construção do Memorial dos 500 anos, mais uma obra arrojada do mundialmente conhecido arquiteto, a visão do oceano parece ganhar novos contornos. A plataforma, com capacidade para 250 pessoas, proporciona a sensação de avançar sobre o mar. Com um design que chama atenção – no formato de um bico de pássaro – o memorial está apontado para o Congresso Nacional, outra obra de Niemeyer, em Brasília.

De lá, a noite, tem-se a sensação de estar diante da cidade das luzes. Além das lâmpadas acesas no percurso de toda orla do Itararé e de Santos, a “proximidade” com o céu também proporciona uma sensação de intimidade com as estrelas. O Memorial dos 500 anos fica na alameda Paulo Gonçalves, s/nº, no alto da ilha Porchat.