CURIOSIDADE

Praia de Santos esconde navio naufragado há mais de 130 anos; destroços surgem na maré baixa

Embarcação encalhou no século 19 e permanece parcialmente enterrada na areia; origem dos restos é investigada por pesquisadores

Foto do navio Recreio
Destroços de embarcação centenária reaparecem na Praia do Embaré, em Santos, conforme a maré recua e a movimentação da areia expõe partes do casco - Divulgação/Prefeitura de Santos


Uma praia de Santosguarda um vestígio do século 19 que volta a chamar a atenção sempre que o mar recua. Na praia do Embaré, próximo ao Canal 5, restos de uma antiga embarcação aparecem na faixa de areia e revelam parte de um naufrágio ocorrido há mais de 130 anos. Conhecido popularmente como “navio fantasma”, o achado desperta a curiosidade de moradores e turistas. 

Os destroços foram identificados pela primeira vez em agosto de 2017, quando funcionários da limpeza urbana encontraram estruturas de madeira e metal expostas pela combinação de maré baixa e erosão da praia.

Desde então, o local passou a ser acompanhado por pesquisadores e órgãos públicos, tanto pela importância histórica quanto pela necessidade de preservar o material, que permanece sujeito à ação do mar, do sol e da areia.

Qual é a origem do navio?

A principal hipótese é que os restos pertençam ao Kestrel, um veleiro mercante britânico construído em 1871. A embarcação transportava cargas pelo Atlântico e teria encalhado em Santos em 11 de fevereiro de 1895, após uma tempestade que rompeu sua ancoragem.

Na ocasião, o navio estava próximo à costa. O episódio foi registrado em jornais da época e entrou para a história marítima da região. 

A identificação, porém, não é tratada como definitiva em todos os registros. O Museu Marítimo de Santos levantou outra possibilidade: os destroços podem pertencer à barca alemã Nanny, que encalhou na região em maio de 1890. A confirmação depende de estudos arqueológicos capazes de relacionar as estruturas encontradas aos registros históricos. 



Por que os destroços aparecem e desaparecem?

A estrutura permanece parcialmente enterrada e pode ficar mais visível quando a maré recua e a movimentação da areia expõe partes do casco. Em outros períodos, os restos ficam encobertos novamente.

O fenômeno transforma o trecho da praia do Embaré em um ponto de interesse histórico, mas a aparição não ocorre de maneira regular. Por isso, não há garantia de que os destroços estejam visíveis em qualquer visita à praia. 

Área exige cuidado

Além do valor histórico, o local exige atenção por causa das estruturas expostas. A prefeitura de Santos já adotou medidas de isolamento e sinalização para reduzir riscos aos frequentadores e proteger os vestígios.



O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também possui documentação relacionada à pesquisa arqueológica e à preservação do naufrágio. A iniciativa busca aprofundar a identificação da embarcação e orientar as medidas necessárias para conservar esse patrimônio submerso. 

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!