CURIOSIDADE

Por que a água do mar fica verde em algumas praias do litoral norte?

Cor observada em praias de Ubatuba, São Sebastião, Caraguatatuba e Ilhabela pode resultar da combinação entre luz, profundidade e outros fatores

Foto da praia de Ubatuba
Maior concentração de fitoplâncton também pode modificar a coloração observada na superfície - Divulgação/Turismo Ubatuba


Quem frequenta as praias do litoral norte de São Paulo já deve ter percebido que a água do mar não apresenta sempre a mesma tonalidade. Em alguns dias, o azul predomina. Em outros, principalmente, em determinadas praias e condições do tempo, o mar ganha tons esverdeados.

Mas por que isso ocorre?

A explicação está em uma combinação de fatores naturais. A profundidade, o tipo de fundo do mar, a quantidade de sedimentos em suspensão, a incidência da luz solar e a presença de organismos microscópicos na água podem influenciar diretamente na aparência do oceano.

A própria água interfere na forma como enxergamos o mar. Quando a luz do Sol penetra na água, diferentes comprimentos de onda são absorvidos em proporções distintas. Em águas relativamente claras e profundas, o azul tende a predominar.

Já em determinadas condições costeiras, a presença de partículas e organismos pode alterar essa percepção e deixar a água com aspecto mais verde.

Fitoplâncton também influencia

Um dos elementos que podem contribuir para a tonalidade esverdeada é o fitoplâncton, formado por organismos microscópicos que vivem na água e realizam fotossíntese.

Esses organismos possuem pigmentos, principalmente a clorofila, que interferem na forma como a luz é absorvida e refletida. Por isso, uma maior concentração de fitoplâncton pode modificar a coloração observada na superfície.



O fenômeno é conhecido e monitorado no litoral paulista. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) faz análises de fitoplâncton e clorofila-a durante o monitoramento da qualidade das águas costeiras.

Litoral norte tem condições favoráveis

O litoral norte paulista possui características que favorecem diferentes tonalidades da água. A região reúne praias, costões rochosos, ilhas, baías e áreas com diferentes profundidades. Além disso, fenômenos oceanográficos podem levar águas profundas e frias para regiões próximas à superfície.

No litoral norte, episódios de ressurgência podem trazer água rica em nutrientes, favorecendo o crescimento de microalgas. Esse processo já foi estudado por pesquisadores do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar-USP).



Isso não significa, porém, que toda água verde seja resultado de uma floração de algas. Na maioria das situações, a coloração é simplesmente consequência das características naturais daquele trecho do mar e das condições observadas naquele momento.

Verde não significa água imprópria

Outro ponto importante é que a cor da água, sozinha, não determina se uma praia está própria ou imprópria para banho. A balneabilidade é avaliada por critérios específicos.

Em São Paulo, a Cetesb monitora regularmente as praias e utiliza, entre outros parâmetros, a presença de bactérias do grupo dos enterococos para determinar as condições de banho. Por outro lado, se a água apresentar uma mudança repentina de coloração, manchas, espuma ou aspecto incomum, a recomendação é evitar o contato até que a situação seja esclarecida.



A própria Cetesb orienta os banhistas a não entrarem no mar quando forem observadas manchas ou alterações na coloração da água. Assim, aquele mar esverdeado visto em uma praia do litoral norte pode resultar de uma combinação completamente natural de luz, profundidade, partículas e vida microscópica.

É justamente essa variedade de condições que faz com que a paisagem do litoral possa mudar de cor de um dia para o outro.

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