“Inimigas” da rede hoteleira, casas disponíveis em aplicativos de locação, como Airbnb, oferecem mais conforto, privacidade e opções de lazer

Às vésperas do início da temporada de verão, a corrida por hotéis e pousadas vem crescendo nas cidades do litoral norte de São Paulo, nas últimas semanas, onde os turistas pretendem se hospedar, de olho nas praias da região. Por causa da alta demanda, os valores das diárias disparam e, em alguns casos, chegam a ser disponibilizados com mais de 100% de aumento.

Para escapar dos valores altos e das regras que engessam a estadia dos hóspedes, como horários rígidos de check-in (entrada) e check-out (saída), limitação de hóspedes (o que inviabiliza a hospedagem de famílias inteiras), a proibição de pets e crianças, taxas, além da falta de pensão completa na maioria dos hotéis, muitos visitantes vêm recorrendo à locação de casas por temporada.
Somente na plataforma global Airbnb, especializada no setor de locação, a reportagem encontrou 4,7 mil casas, apartamentos, chalés, kitnets, bangalôs e suítes disponíveis em Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba.
Em Ilhabela, há 749 imóveis disponíveis no período pesquisado (de 1 a 31 de dezembro), mais que o dobro dos meios de hospedagens convencionais e legalizados da cidade, estimados em cerca de 300 estabelecimentos.
Com a expectativa de 3,5 milhões de turistas nas quatro cidades da região, entre dezembro e fevereiro, segundo expectativas das prefeituras, diversos moradores aproveitam para faturar dinheiro extra com a locação de casas para turistas. As diárias variam de R$ 150 a R$ 8.000.
Samanta Mercatto, 43, conta que mora em Ubatuba, mas que, durante a temporada de verão, aluga sua própria casa para turistas. Neste período, ela diz que passa os dias na casa dos pais, em São Paulo. “Eu costumo cobrar R$ 1.200 a diária. A casa comporta até seis pessoas e tem piscina, ar-condicionado, dois banheiros, garagem para três carros e escritório nos fundos”.
A administradora contábil informa em seus anúncios que pets e crianças são bem-vindos. “A maioria dos hóspedes pergunta se podem trazer os pets, pois eles têm dificuldades em encontrar hotéis que os aceitem. Também me contam que muitas pousadas são focadas apenas em casais e, por isso, não conseguem trazer os filhos. Então eles preferem casas, por causa dessas comodidades”, explica.
Sabrine Santos, 39 e seu marido João Rangel Santos, 44, de Caraguatatuba, herdaram uma casa de frente para o mar em São Sebastião, mas decidiram continuar morando na casa própria em que vivem, devido aos altos custos de manutenção do imóvel herdado. Para bancar despesas como IPTU, jardineiro, caseiro, energia e água, decidiram colocar a casa para locação aos finais de semana e temporada.
A diária é de R$ 2.200 para até oito pessoas e três vagas na garagem. “Já tivemos o caso de uma família com 16 pessoas que alugaram a casa no ano passado, mas avisei que não seria possível, pois não cabia todo mundo em três quartos. Então eles pagaram a mais para eu permitir que metade da família montasse barracas no gramado da casa para dormirem”, relembra João Rangel.
Jadiel Soares Medeiros, que aluga uma casa na praia Martim de Sá, em Caraguatatuba, define bem o porquê da preferência por aluguel de casas para a temporada: "Devido às facilidades que este meio de hospedagem proporciona, como horário estendido para check-out, possibilidade de preparar almoços e jantares, receber crianças e pets e número maior de pessoas, que podem dividir o valor da locação, o que não pesa muito no bolso”.
Ele acrescenta que “além disso, os hóspedes alegam que os valores são bem abaixo dos praticados por hotéis e pousadas nesta época do ano, que, muitas vezes, nem oferecem vaga para estacionamento ou até mesmo café da manhã”.
Outro ponto observado por Medeiros é que a maioria dos turistas busca por casas com piscina. “De cada 10 interessados, oito querem casa com piscina, o que muitos hotéis e pousadas também não oferecem", conclui.