Material é utilizado em tratamentos para osteoporose, dores crônicas, reumatismo, dermatoses e outras doenças alérgicas

O litoral norte paulista “esconde” uma das raras praias no mundo, que possuem areia monazítica, rica em minerais, com tonalidade escura, quase preta, e grãos brilhantes. O material recebe este nome por conter minerais como a monazita, naturalmente radioativa, e associada, no passado a propriedades terapêuticas, apesar da falta de comprovação científica.
Esse tipo de areia, encontrado na praia da Mococa, região norte de Caraguatatuba, é raro no mundo. No Brasil, a praia mais conhecida por conter maior quantidade do mineral é a Areia Preta, em Guarapari (ES).
A localidade capixaba, inclusive, se intitula “Cidade Saúde”, pelas supostas propriedades medicinais da areia. Além das duas praias brasileiras, as areias monazíticas somente são encontradas na África do Sul; Canadá; China; Rússia; Malásia; Sri Lanka; Índia e Portugal.
A areia monazítica é utilizada por moradores de Caraguatatuba em tratamentos para osteoporose, dores crônicas, reumatismo, dermatoses e outras doenças alérgicas, devido ao potencial terapêutico de seus minerais e radiação de baixa intensidade.
A exposição à areia monazítica pode estimular as defesas do corpo e melhorar a circulação, aliviar dores e prevenir doenças.
Quem frequenta a praia, e desconhece sua fama terapêutica, estranha quando observa diversos banhistas praticamente enterrados na areia, apenas com a cabeça para fora. É assim a terapia de quem usa a areia na busca pela cura para diversas doenças.
Moradores mais antigos afirmam que a vizinha praia da Cocanha também continha monazita, mas, com o passar do tempo, suas características foram modificadas. A crença nas propriedades medicinais é uma tradição popular, especialmente em Guarapari, onde há um turismo específico para visitação do lugar.
Além da monazita, a areia contém elementos como cério, lantânio, neodímio, samário, fósforo, ferro, tório e urânio. A presença de tório, que é radioativo, confere à areia monazítica suas propriedades de emissão de luz e radiação gama, que não é considerada prejudicial à saúde e pode até estimular mecanismos de proteção no corpo. A areia também possui magnetismo intenso, uma característica peculiar dos elementos que a compõem.
A “terapia” feita por conta própria nas areias monazíticas exigem alguns cuidados. Dependendo dos casos, a enfermidade por até se agravar, caso o processo não seja feito da forma correta.
A médica Thálita Eufenia, formada em medicina pela Unig (Universidade Iguaçu), do Rio de Janeiro, e pós-graduada em dermatologia, pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, explica: “Importante salientar que muitos estudos sobre os efeitos terapêuticos da areia monazítica estão em curso, e falar em cura de doenças é complexo e diferente de potenciais profiláticos (preventivos) ou benefícios à saúde”.
Thálita destaca que a exposição exige cautela, como em qualquer tipo de areia. “O contato com feridas abertas ou mucosas, como os olhos, podem resultar em problemas como alergias, irritações e até abrasões na córnea, só para citar algumas possibilidades”, alerta.
Ainda de acordo com a médica, em pessoas com peles sensíveis, ou com doenças preexistentes, como as dermatites, os quadros podem piorar, acompanhados de prurido (coceira), vermelhidão e até de erupções.