Pequena faixa de areia no extremo da Ilha de Santo Amaro guarda ruínas e uma história que remonta ao período colonial

Quem passa pelo litoral de Guarujá pode encontrar praias de diferentes tamanhos e características. Uma delas, porém, guarda uma história pouco conhecida: a praia da Armação das Baleias, no extremo da Ilha de Santo Amaro, foi parte de um complexo onde ocorria a extração e o processamento de óleo de baleia.
Com apenas cerca de 50 metros de extensão, a pequena praia fica na região conhecida como Rabo do Dragão, próxima ao Canal de Bertioga. O acesso pode ser feito por trilha ou pelo mar.
O nome da praia está diretamente relacionado à atividade que existia no local. Durante o período colonial, baleias eram capturadas e o óleo extraído dos animais era utilizado principalmente para iluminação e na produção de outros derivados. A Armação das Baleias é considerada pela prefeitura de Guarujá a primeira indústria extrativista instalada na Ilha de Santo Amaro.
A atividade ganhou importância entre os séculos XVIII e XIX. Segundo levantamento da USP, o conjunto funcionou a partir de 1748 até 1825 e era responsável pelo processamento do óleo de baleia.
O produto tinha diferentes usos. Entre eles estava a iluminação pública da Baixada Santista e de São Paulo, além de aplicações em embarcações e na construção civil.
A estrutura não era formada apenas pela área de processamento. O complexo reunia construções, tanques, cais e outros espaços relacionados à atividade. Atualmente, parte das estruturas está em ruínas.
A visita à Armação das Baleias também pode ser combinada com outros pontos históricos da região. O local fica próximo às ruínas da ermida de Santo Antônio do Guaibê, construção do século XVI, e à área da antiga Fortaleza de São Felipe.
A própria localização ajuda a explicar a importância estratégica do lugar. A área fica junto ao Canal de Bertioga e em uma região que, desde os primeiros séculos da ocupação portuguesa, teve relação com a circulação de embarcações e a proteção da entrada do canal.
Hoje, a praia tem perfil diferente daquele período. Pequena e cercada por vegetação, é procurada principalmente por quem busca um passeio mais ligado à natureza, além de atividades como mergulho e pesca.
A Armação das Baleias mostra uma faceta diferente do turismo em Guarujá. Em vez das praias mais movimentadas e urbanizadas, o visitante encontra uma faixa de areia pequena, trilha, vegetação e vestígios de um período em que a região tinha uma atividade econômica completamente diferente da atual.
A história do local também ajuda a entender como produtos retirados do litoral eram utilizados no cotidiano durante o período colonial. O óleo de baleia, por exemplo, teve papel importante na iluminação antes da popularização de outras fontes de energia.
Assim, a pequena praia de 50 metros reúne em poucos quilômetros elementos de natureza, história e patrimônio que ajudam a contar uma parte pouco conhecida da formação de Guarujá.