Modalidade está em ascensão na região e roteiros preveem mergulho de flutuação e até gastronomia a bordo, com valores acessíveis

O litoral norte de São Paulo possui aproximadamente 350km de costa, entre São Sebastião e Ubatuba, considerando baías, enseadas, costões rochosos, ilhas e reentrâncias da faixa litorânea, que transforma a região em potencial atrativo para o turismo náutico.
As belas praias da região, tendo ao fundo a Mata Atlântica, são os principais atrativos de quem visita Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba. Muitos turistas, porém, gostam de explorá-las por outro ângulo, com visual do mar para terra, por meio de passeios de lanchas.
Região tem registrado aumento na procura por passeios náuticos, acompanhando tendência nacional, mesmo em períodos considerados de baixa temporada.
Juntamente com a região da Costa Verde, que engloba destinos como Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba, no litoral sul fluminense, o litoral norte paulista é um dos lugares nos quais o turismo náutico mais cresceu, de acordo com empresários do setor.

Em termo de comparação, e que evidencia o crescimento do setor, somente a cidade do Rio de Janeiro estima uma injeção na economia municipal 18% superior neste verão, comparada com o período anterior, de acordo com a RioTur. Cidade projeta receita turística de R$ 12,8 bilhões e demanda por barcos de lazer, que deve crescer no primeiro semestre.
A liquidez gerada pelo fluxo de 5,7 milhões de turistas na capital fluminense acelerou a procura por barcos de lazer. Atualmente, o Rio abriga em torno de 25% da frota brasileira de embarcações acima de 16 pés, conforme levantamento da Capitania dos Portos local.
Os turistas, de acordo com o segmento, buscam dois tipos de passeios náuticos: o de massa, por meio de escunas que podem transportar entre 40 a 120 pessoas, com custo mais baixo; e saídas mais exclusivas, com embarcações menores voltadas para casais e famílias.
Cacá Alberti, da empresa Aloha, é um dos empresários do setor que realizam passeios de lancha com exclusividade para casais e famílias. Para ele, o cenário atual “é bom” e com potencial de crescimento ainda maior.
“Mesmo na baixa temporada, há diversas empresas de passeios coletivos que fecham grupos, diariamente, aqui em Ilhabela. O cenário atual é bom, muitos turistas marcando passeios de lancha, especialmente para as praias de Castelhanos e Bonete”, explica ele, referindo-se às duas praias mais famosas do arquipélago.
Segundo Alberti, que afirma receber pedidos de cotações diariamente, “o potencial de crescimento é evidente a partir do aumento de procura para passeios”.
Um fator que pesa no aumento pela busca por passeios náuticos em Ilhabela é a infraestrutura que o arquipélago oferece. “A estrutura é excelente, temos vários píeres ao longo da orla para embarque e desembarque de passageiros. As marinas também fornecem ótimas condições para guardarmos as lanchas e fazermos as manutenções preventivas”, acrescenta.
A cidade de Caraguatatuba vê no turismo náutico a possibilidade de criar um novo atrativo turístico, aproveitando as águas tranquilas em frente à região central. A secretária municipal de Turismo, Bianca Colepicolo, afirma que sua pasta tem estudado a possibilidade de construir um píer flutuante na praia do Camaroeiro, no centro, para facilitar o embarque e desembarque de passageiros.
“O lugar é estratégico, pois evita-se o deslocamento terrestre para as praias da região norte, que têm grande fluxo de veículos na alta temporada e feriados; e está bem localizado para saídas às praias do norte, sul, ilhas da cidade, Ilhabela, Ubatuba e São Sebastião”, pontua.
No final do ano passado, a cidade, inclusive, ganhou o prêmio Top Destinos Turísticos, na categoria Turismo Náutico, desbancando os municípios de Bertioga e Itanhaém, que concorriam no mesmo segmento.
Apesar da alta demanda, os passeios náuticos no litoral norte têm valores acessíveis, especialmente quando pequenos grupos dividem o custo final. “Um luxo acessível”, resume a biomédica Geovana Lajes, 26, de Curitiba, que fez um passeio com grupo de amigos em Ilhabela no final de semana passado.
Segundo ela, a experiência de visitar praias secretas, observar tartarugas e golfinhos durante o trajeto, e mergulhar em águas cristalinas, saiu por R$ 120 por pessoa. O grupo, formado por cinco turistas, fechou o passeio a R$ 600.
A nutricionista Carla Peretti, 29, que integrava o grupo, disse que as visitas às praias superaram suas expectativas. “É um passeio incrível. A gente vê as praias de um outro ângulo, bem diferente e muito mais interessante e, ao meu ver, mais bonito”.
Algumas operadoras capricham nos roteiros. Além de inserirem praias exclusivas, alguns passeios preveem paradas para mergulho de flutuação em ilhas paradisíacas, exploração de trilhas em praias mais desertas e até gastronomia a bordo. Quando não há almoço, os barcos param em praias com estruturas de quiosques e restaurantes.
A melhor época para passeios náuticos é entre março e maio e setembro e dezembro, na baixa temporada, períodos em que as cidades e as praias estão mais vazias e os preços mais convidativos. Os valores, para uma pessoa, variam entre R$ 70 (escunas) a R$ 180 (lanchas).