Guia da Setur-SP reúne trilhas, manguezais e restingas para observação de aves em cidades da Baixada Santista e litoral norte de São Paulo

Entre trilhas, manguezais, restingas e praias, o litoral de São Paulo guarda um tipo de turismo que, por vezes, exige menos pressa e mais atenção ao caminho. Com isso, a observação de aves, conhecida também como birdwatching, ganhou novos destinos na segunda edição do guia de Roteiros de Observação de Vida Silvestre, lançado pela Secretaria de Turismo e Viagens do estado de São Paulo (Setur-SP).
A publicação reúne áreas da Mata Atlântica em território paulista onde moradores e turistas podem encontrar espécies residentes, migratórias, endêmicas e até ameaçadas de extinção. Na Baixada Santista, os roteiros passam pelas cidades de Bertioga; Santos; São Vicente; Praia Grande; Guarujá; Mongaguá; Itanhaém e Peruíbe.
O atrativo está justamente na diversidade de ambientes. Em poucos quilômetros, o visitante pode sair de uma praia, atravessar áreas de restinga, caminhar por trilhas em mata fechada e observar aves em manguezais e estuários. Segundo o guia, a chamada Costa da Mata Atlântica é um dos habitats mais procurados do país para a prática.

Entre as espécies que podem ser avistadas na região estão o tiê-sangue; o tangará; o gavião-pombo-pequeno; o guará e o raro formigueiro-do-litoral. A experiência também tem apelo para fotógrafos, pesquisadores, guias de turismo e visitantes que buscam contato mais direto com a natureza.
Em Bertioga, o Parque Estadual da Restinga aparece como um dos pontos de destaque para observação de aves. A área abriga espécies residentes e migratórias, com registros de mais de 117 espécies, incluindo aves endêmicas e ameaçadas.
Na trilha de São Lourenço, o percurso é considerado de nível fácil, com 6km de ida e volta. Garças, colhereiros e guarás-vermelhos estão entre as espécies que podem ser vistas em áreas úmidas, restingas e regiões próximas à água.
Outro roteiro citado no guia é o Besourinhos da Mata, projeto de turismo de base comunitária no Parque Estadual Restinga de Bertioga. A iniciativa busca aproximar crianças da observação de aves de forma lúdica e tem como melhores períodos o inverno e a primavera.

A cidade também aparece com a Rota das Aves, entre a serra e o mar, que abrange as trilhas de Itaguaré e Guaratuba, além do trecho conhecido como trilha da Família Pinto. O trajeto inclui ambientes de restinga e Mata Atlântica, com possibilidade de avistar espécies como surucuá-de-barriga-amarela; colhereiro; quero-quero; fragata; garça-moura; tapicuru e tiê-sangue.
Em Praia Grande, o Parque Ézio Dall’Acqua, conhecido como Portinho, é apontado como uma das áreas de referência. Localizado logo depois da ponte do Mar Pequeno, o espaço reúne manguezal e já teve 165 espécies de aves catalogadas, entre migratórias e residentes.
O guia indica outono, inverno e primavera como melhores períodos para observação no local. Entre as aves de destaque estão a saíra-sapucaia, considerada ameaçada, o guará; saíra-de-sete-cores; araçari-banana; saracura-matraca e jaó-do-sul.
Em Peruíbe, o bairro do Guaraú aparece como outro ponto estratégico. A região fica próxima à Estação Ecológica Jureia-Itatins e combina Mata Atlântica, manguezais, restingas, trilhas, cachoeiras e praia. O período recomendado para observação vai de março a novembro.
Também em Peruíbe, a praia de Taninguá é citada como uma das áreas importantes para descanso e migração de aves costeiras e de áreas úmidas. Espécies como piru-piru; maçarico-de-papo-vermelho; batuiruçu; batuíra-de-bando e maçarico-branco podem ser encontradas na região.
Além da Baixada Santista, o guia também destaca o litoral norte como território importante para a observação de aves. Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela formam um corredor de praias, serras, rios e áreas preservadas de Mata Atlântica.
Na região, há mais de 400 espécies de aves registradas, segundo a publicação. Os roteiros incluem experiências como a Rota do Surucuá, em São Sebastião; áreas de restinga e manguezal em Caraguatatuba; trilhas em Ubatuba; e vivências de observação e soltura monitorada de aves em Ilhabela.
Segundo a Setur-SP, a proposta é estimular o turismo de natureza de forma responsável, conectando visitantes a parques, áreas protegidas, comunidades locais, guias especializados e iniciativas ligadas à conservação ambiental.
Mais do que uma atividade para especialistas, a observação de aves, cada vez mais, ganha espaço como experiência turística acessível. Para participar, o visitante precisa de disposição para caminhar, silêncio, atenção aos sons da mata e, quando possível, acompanhamento de guias locais.