Atleta de 20 anos venceu disputa na categoria Down em Porto de Galinhas e reforça o protagonismo feminino no surfe adaptado nacional

A surfista Jade Lie Tanaka, de 20 anos, moradora de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, conquistou o tricampeonato brasileiro de parasurf na categoria Down. A vitória foi no domingo (5), no Campeonato Brasileiro de Parasurf, na praia de Ipojuca, em Porto de Galinhas (PE). O evento reuniu atletas de várias partes do país em celebração de inclusão e superação.
Organizado pela Confederação Brasileira de Surf (CBSurf), o campeonato contou com disputas nas categorias Down, Baixa Estatura, Autismo e Surdo. O objetivo foi mostrar que o surfe pode ser acessível a todos quando existe estrutura adequada e apoio técnico especializado.
Na bateria final, Jade enfrentou a pernambucana Larissa Costa e a carioca Giovanna Galli. Com somatória de 6.40 pontos, a atleta sebastianense garantiu o primeiro lugar, ao superar Larissa, que obteve 6.05, e Giovanna, que terminou com 3.80. O resultado consolidou Jade como uma das principais referências da modalidade no país.
Um dos destaques do campeonato foi o crescimento da presença feminina na competição. Em 2023, apenas quatro mulheres participaram. Neste ano, o número subiu para 16 inscritas, que evidenciou a força e a representatividade que atletas como Jade trazem ao esporte. "Só tenho a agradecer a todos que me apoiaram. Fiquei muito feliz em ser tricampeã e fazer novas amizades nesse evento lindo", declarou a surfista.
Jade nasceu em Florianópolis (SC), mas se mudou ainda pequena para São Sebastião. Aprendeu a surfar com o irmão mais velho, Pedro Tanaka, que também competia e foi seu grande incentivador. A relação dos dois era marcada por afeto e cumplicidade. No entanto, Pedro morreu em acidente de mergulho no período da pandemia, o que abalou profundamente a família.
Segundo a mãe da atleta, Ana Tanaka, o surfe foi o refúgio para lidar com a perda. "Jade sofreu muito porque era muito ligada ao irmão. Existia muito amor e segurança na relação dos dois", relatou. Após dois anos de luto, a jovem retomou os campeonatos e transformou o esporte em caminho de superação pessoal.
Hoje, Jade é exemplo de determinação e inspiração. Tricampeã brasileira de parasurf, ela quebra barreiras e prova que o talento e a coragem podem vencer qualquer obstáculo. "Existem muitas barreiras a serem quebradas para ser atleta de surfe, mas o fato de ela ser menina e com síndrome de Down nos mostrou algo muito maior do que pontes a serem atravessadas", concluiu Ana.