
Foto: Reprodução
Bertioga
MayumiKitamura
Há cerca de dez anos, para os moradores de Bertioga não era absurdo dormir com a porta de entrada do imóvel aberta, permanecer sentado em frente à casa para conversar com amigos e, muito menos, pensava-se em sair de casa sem bolsa por medo de assaltos. Ultimamente, a sensação de insegurança disparou, mesmo com dados oficiais de aumento de roubos não tão alarmantes. Em breve enquete na página do Sistema Costa Norte no Facebook, os seguidores deram suas opiniões e relatos do que já presenciaram ou viveram.
Perguntamos se os seguidores achavam que a criminalidade em Bertioga aumentou e, dos 127 comentários, 126 foram afirmativos. Ainda, muitos deram seus relatos de furto ou roubo, como Paula Carvalho. Ela contou que mora há 20 anos em Boracéia e “nunca havia visto tanta violência” e, além disso, comentou que 20 minutos antes de escrever na página, teve que parar seu carro por um problema técnico, momento em que foi abordada por dois indivíduos. Revoltada, ela disse: “Quase levam minha bolsa e meu celular. As ameaças são frequentes!!!! Todos os dias escutamos algum tipo de violência! E onde estão aquelas viaturas que há 10 anos passavam com frequência pelas ruas? Aqui só merecemos proteção quando tem um índice elevado de turistas!”.
Alguns internautas, como Marcos Kinho, Danni Diogo e Adilson Ferreira Alves reclamaram também da ausência de policiais nas ruas ou do efetivo. Comentou Adilson: “Aumentoua criminalidade e o efetivo policial continua o mesmo que há 15 anos. Lamentável a realidade hoje em dia”. Para sair, Danni revela que só leva o essencial, por medo de assaltos: “A criminalidade esta cada dia pior, moleques armados amedrontando a população”.
A falta de insegurança é tamanha que Bianca Venceslau Pigosso afirmou que mal consegue andar nas ruas da cidade e até mesmo na praia e, mesmo em casa sente-se em perigo.
Apesar de crescer a impressão de que a criminalidade aumentou consideravelmente no município, dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública do estado, revelam que, de janeiro a outubro, houve 65 casos a mais de roubo do que no mesmo período do ano anterior e, ainda, a queda de 249 casos de furto. O munícipe Haroldo Kalleder tem uma teoria para os números não acompanharem a sensação de insegurança: “Oficialmente, os números da violência podem até ter diminuído, mas é porque a população não registra o boletim de ocorrência. Porque as Instituições estão desacreditadas e os serviços colocados à disposição da população, estão péssimos”.
Para Agnaldinho Silva, se não for realizada uma parceria entre o município e a Polícia Militar, como pró-labore (remuneração por serviço especial fora da rotina), a criminalidade pode aumentar ainda mais. Isso porque ele acredita que os policiais estão desmotivados. Para ele, nesse sentido, há uma grande expectativa de que o prefeito eleito Caio Matheus implante convênios.
Propostas
Em entrevista, o prefeito eleito Caio Matheus comentou o aumento da insegurança entre a população. Ele comenta que, apesar de os índices regionais mostrarem que a criminalidade diminuiu em diversos pontos, essa segurança não é sentida nas ruas, por isso, é um desafio a ser compartilhado entre os governos municipal e estadual. “A cidade evoluiu no número de habitantes de maneira vertiginosa e, embora tenha crescido tanto nos últimos dez anos, o efetivo da GCM, Civil e Militar continua o mesmo, então a conta não fecha, é obvio”. Para ele, é necessário aumentar o efetivo da GCM e, por meio do governo do estado, elevar o número de policiais na região. Entretanto, neste último, ele ressalta um aspecto muito importante.É necessário que as vítimas registrem boletim de ocorrência para que o estado tenha conhecimento da realidade no município e se justifique o aumento do efetivo.
O prefeito eleito afirmou até que pretende criar meios para incentivar o registro de boletins de ocorrência. “O problema é que hoje, se olhar os dados, ninguém registra b.o., mas porque tem dificuldade. Por isso temos que facilitar e cobrar o que não está correspondendo”.