Quadrilha vinda de Suzano usava tecnologia para simular imagem de apresentador de TV em falsos sorteios; apreensão ocorreu no bairro Jardim Praia Grande
Redação
Publicado em 17/10/2026, às 13h58

A Polícia Militar desmantelou uma infraestrutura de fraudes digitais e deteve oito pessoas em flagrante, na manhã de sexta-feira (16), no município de Mongaguá. O grupo operava uma central clandestina de estelionato eletrônico no interior de um imóvel residencial situado na rua Eunice de Oliveira Bessa, no bairro Jardim Praia Grande.
A intervenção das equipes da Força Tática ocorreu após o recebimento de denúncias anônimas sobre a movimentação suspeita na casa.
Ao perceberem a aproximação das viaturas policiais por volta das 11h20, parte dos ocupantes do imóvel tentou escapar. Dois homens pularam o muro dos fundos e subiram no telhado de uma residência vizinha, enquanto o restante dos suspeitos optou pela rendição imediata.
Após o cerco no quarteirão, os policiais capturaram os fugitivos no telhado adjacente. Em depoimento preliminar à guarnição, os detidos admitiram o deslocamento do município de Suzano, na Grande São Paulo, até o litoral paulista com o objetivo de executar fraudes financeiras e estelionatos na região.
No interior da residência, os agentes encontraram diversos notebooks em funcionamento com plataformas abertas de disparo de mensagens, além de aparelhos celulares e dezenas de chips de telefonia móvel ativos.
A investigação apurou que a fraude utilizava programas de inteligência artificial generativa para clonar a voz e a imagem sintética de um renomado apresentador de televisão. A quadrilha usava o recurso para simular um suposto prêmio vinculado ao programa Cartão de Todos.
Os estelionatários efetuavam chamadas telefônicas para as vítimas e informavam sobre a falsa contemplação no sorteio. Na sequência, induziam os usuários a compartilhar a tela do próprio celular sob o pretexto de interagir com o apresentador virtual.
Com o espelhamento da tela do aparelho, os criminosos capturavam senhas bancárias, dados pessoais sensíveis e códigos de verificação para efetuar saques e transferências indevidas.
A denúncia inicial também citava a possível presença de armas de fogo e de dois homens procurados pela Justiça no endereço. A consulta aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da Polícia Civil confirmou a existência de mandados de prisão em aberto contra a dupla informada, porém os dois foragidos não estavam no imóvel no momento do cerco policial e nenhuma arma de fogo foi encontrada após as buscas varreduras na casa.
A Polícia Científica passou por acionamento e executou a perícia técnica nos computadores e celulares apreendidos para a coleta de provas digitais.
Os oito detidos e todo o material tecnológico foram encaminhados ao Distrito Policial Sede de Mongaguá, onde a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante por estelionato e associação criminosa. Os suspeitos permanecem na cadeia pública à disposição do Poder Judiciário