ISCA VIVA

Pintassilgo usado como isca em armadilha é resgatado e solto na natureza em Mongaguá

Fêmea estava em gaiola com alçapões na avenida Agenor de Campos; biólogo avaliou condições de saúde e comportamento antes de autorizar soltura


Redação
Publicado em 28/09/2026, às 19h00

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Gaiolas em viatura da Gepam, durante apreensão
Pintassilgo fêmea recebeu avaliação biológica antes de retornar ao seu habitat no litoral - Divulgação/Prefeitura de Mongaguá


Uma fêmea de pintassilgo (Sporagra magellanica) mantida em cativeiro ilegal, para atrair outras aves silvestres, foi resgatada na tarde de domingo (27), na avenida Agenor de Campos, em Mongaguá, litoral de São Paulo.

Ação foi conduzida pelo Grupo Especial de Proteção Ambiental (Gepam), grupamento especializado da Guarda Civil Municipal (GCM), que flagrou a armadilha armada no alto de uma árvore por volta das 16h50, durante patrulhamento de rotina.

No local, os agentes constataram que o animal silvestre estava aprisionado em uma gaiola adaptada com dois alçapões laterais, funcionando como "chama" (isca viva) para atrair outros pássaros da mesma espécie em direção ao cativeiro.

O responsável pela instalação do equipamento não foi encontrado nos arredores durante a fiscalização. Diante do flagrante ambiental, a gaiola foi recolhida e a ave seguiu sob custódia até o Parque Ecológico de Mongaguá para triagem técnica.

Na unidade de conservação, o animal passou por exames detalhados conduzidos por especialistas. O biólogo do Parque Ecológico de Mongaguá, Daniel Monteiro Bortone, descreveu o estado em que a fêmea chegou à avaliação:

Ela estava estressada, procurando a todo momento um local de fuga para sair da gaiola e de perto de nós. Não estava machucada e estava bem nutrida, características que mostram que, muito provavelmente, tinha sido capturada recentemente. Avaliamos a condição geral de saúde, o comportamento e a área de ocorrência para confirmar se a espécie é nativa da nossa região”.

Como os exames clínicos e comportamentais atestaram que o pássaro preservava seus reflexos e instintos selvagens intactos, o especialista indicou a soltura imediata, sem necessidade de reabilitação em cativeiro.



O biólogo Daniel Monteiro Bortone orientou o procedimento técnico:

Orientamos os guardas a fazerem a soltura em um local seguro, o mais próximo possível da ocorrência, pois essas aves conhecem a área onde habitam”.

Logo depois da emissão formal do laudo de destinação silvestre, os guardas do Gepam conduziram a ave até uma área de mata preservada nas imediações do ponto de resgate e devolveram o animal à liberdade.

A captura, guarda e comércio de espécies da fauna silvestre sem licença configuram crime ambiental previsto na Lei Federal 9.605/98 e na Resolução SIMA 05/21. Denúncias anônimas sobre armadilhas e animais aprisionados podem ser feitas pelo telefone 153.



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