CRIMES CIBERNÉTICOS

Operação da Polícia Civil do Distrito Federal contra venda ilegal de dados cumpre mandado no litoral norte de São Paulo

Ação da Polícia Civil do DF identificou 13 integrantes de grupo que vendia dados pessoais e informações sigilosas usados em golpes

Policiais do Distrito Federal conduzindo detido e imagem de computador apreendido durante operação
Policiais do DF cumpriram 13 mandados de prisão temporária e mandados de busca e apreensão em seis estados - Divulgação/Polícia Civil do Distrito Federal


A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã de quinta-feira (24), a operação Perseu7 contra uma organização criminosa suspeita de manter uma plataforma clandestina de comercialização de dados pessoais.

Ação também teve desdobramento em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo. Segundo a PCDF, foram cumpridos 13 mandados de prisão temporária e mandados de busca e apreensão em seis estados, incluindo São Paulo. Mais de 80 policiais participaram da operação.

Em Caraguatatuba, policiais civis do Distrito Federal, com apoio da Polícia Civil da cidade, cumpriram um mandado de busca e apreensão em um imóvel no bairro Porto Novo. O investigado não estava no endereço durante a ação, mas os agentes apreenderam aparelhos eletrônicos e documentos de interesse da investigação. O material foi lacrado e encaminhado para análise.

Ainda no litoral, São Sebastião também foi alvo da operação, com apoio da Polícia Civil local. 

Plataforma alimentava golpes

De acordo com a investigação, a plataforma cobrava mensalidade e permitia consultas a partir de CPF ou CNPJ. Entre as informações disponíveis estavam nome, filiação, endereço, documentos, vínculos e processos judiciais.

As bases reuniam centenas de milhões de registros, que, segundo a PCDF, eram obtidos por meio de vazamentos e da exploração de vulnerabilidades em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.



A plataforma era utilizada por criminosos para obter informações que facilitavam a aplicação de golpes. Entre os exemplos citados pela polícia está o golpe do falso advogado, no qual o criminoso utiliza dados reais de um processo para se passar pelo defensor da vítima.

Investigação aponta estrutura organizada

A PCDF afirma que identificou 13 integrantes com funções distribuídas entre liderança, gestão financeira, desenvolvimento da plataforma, fornecimento das bases de dados, operação de fraudes, uso de contas de terceiros e comercialização dos acessos.

Segundo a polícia, entre março de 2021 e março de 2026, o grupo movimentou mais de R$7 milhões, dos quais mais de R$4 milhões somente em 2025. Os lucros eram ocultados por meio de empresa de fachada, contas-bolsão e movimentações de criptoativos.



A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos até o limite de R$7 milhões, além da retirada da plataforma do ar.

O que diz a polícia

Segundo o delegado-chefe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Distrito Federal, João Guilherme Carvalho, a investigação chegou aos integrantes a partir da análise de vestígios cibernéticos e financeiros relacionados aos crimes.

Essa plataforma digital é responsável por nutrir as demais organizações criminosas com dados pessoais e até mesmo com dados sigilosos governamentais, dados de Detran, de Receita Federal e processos judiciais.”

Ainda de acordo com o delegado, os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato. A PCDF informa que, somadas, as penas máximas dos crimes podem ultrapassar 36 anos de reclusão.



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